O país está incrédulo perante a notícia de que duas enfermeiras tiveram que espremer leite das mamas para provar que estão a amamentar os seus filhos. O caso terá acontecido em dois hospitais da cidade do Porto e foi apresentada reclamação para várias entidades. A situação visa detectar fraudes na redução de horário de trabalho para aleitação. O grupo parlamentar do Partido Comunista Português (PCP) já tornou público que iria questionar o Ministério da Saúde sobre aquela situação.

O caso é noticiado este domingo, 19 de Abril, pelo jornal Público, dando conta que envolve duas enfermeiras, uma do Hospital de Santo António e outra do Hospital de São João, ambos no Porto. As duas profissionais referem que aquela situação ocorreu no âmbito de uma consulta de saúde ocupacional após os seus filhos terem completado um ano de vida.

Uma das trabalhadoras, de 34 anos, afirma que a médica que a atendeu perguntou-lhe desde quando estava a amamentar e disse-lhe que iria ver se tinha leite. Apesar de considerar aquele procedimento "absurdo e ilegal", espremeu a mama para comprovar que esguichava leite para amamentar o seu filho. A outra trabalhadora, de 32 anos, também foi submetida a uma prova idêntica de "evidência de leite". O caso aconteceu em Março também no âmbito de uma consulta de saúde ocupacional no hospital onde trabalhou como enfermeira.

O médico terá explicado que se a enfermeira se recusasse a fazer a prova poderia perder o horário de amamentação. "Depois senti-me completamente violada. Isto não é ético, é humilhante", afirma a mulher. A enfermeira aproveita para denunciar a pressão que é feita sobre as trabalhadoras grávidas para que reduzam o período de ausência do trabalho contemplado na licença de maternidade, enquanto às que foram mães lhes é pedido para abdicarem da redução do horário para amamentar.

Perante os casos tornados públicos, o deputado Jorge Machado, do PCP, já afirmou que iria questionar o Governo sobre aquele procedimento. Considerando tudo aquilo "inacreditável", o deputado comunista condena o comportamento dos hospitais. O PCP pretende saber quem é o responsável por aquelas decisões que "são ofensivas para as mulheres".

Responsáveis dos hospitais visados não confirmaram, ao jornal diário, a exigência de prova de evidência de leite e realçaram que a administração não recebeu qualquer queixa. Mas a Ordem dos Médicos considerou que aquele procedimento é ilegal e sugere às mulheres que sejam vítima do mesmo para apresentarem queixa à Comissão para a Igualdade no Trabalho e Emprego.