"É uma profissão dura, mas que nos dá sensações ao alcance de muito poucos", começa por dizer Rui Farinha, jovem bracarense que enfrenta muitas temperaturas negativas, trabalhando a mais de 300 metros do solo enquanto neva, ou debaixo de sol acima dos 40 graus. Cedo percebeu o dom para andar pendurado por cordas e decidiu tornar o desporto de escalada em profissão. Rui Farinha percorre o mundo a fazer trabalhos verticais com uma equipa internacional. Estádios de futebol, maravilhas do mundo e até arranha-céus são alguns dos locais que percorre preso por cabos em obras de manutenção.

Entre vários trabalhos estão "ascensões" à Torre Eiffel, Aspire Tower, radares da NATO, o Estádio de de Wembley, ou as alturas dos cabos do Estádio Municipal de Braga e da Luz. Entre outros trabalhos também estão as vertiginosas torres de telecomunicações, a mais de 350 metros de altura, onde este bracarense de 35 anos costuma andar pendurado por cordas.

Este jovem português faz parte de uma equipa internacional e restrita, onde desempenha o papel de líder de um conjunto de profissionais que fazem restauros da Torre Eiffel, em Paris, em grande ângulo e de sete em sete anos. A viver em França, este bracarense começou a subir às torres em 2004 durante manobras de sustentação das palas do Estádio Municipal de Braga.

"É sempre bom começar na terra natal. Nesta profissão há sempre algum risco, mas não deixo de frisar que é uma sensação única estar pendurado nos cabos, lá no alto. Uma forma diferente de estar na vida e uma profissão como outra qualquer", revela este bracarense, que também já esteve pendurado nas alturas do Estádio de Wembley.

Rui Farinha lembra ainda locais que deixam saudades, tal como quando teve que liderar a equipa de manutenção de grande ângulo da limpeza e pintura da Torre Eiffel. "É um trabalho fisicamente duro e realizado por profissionais de diversas áreas com formação específica em trabalhos em altura e manobras de cordas", frisa, indicando que o trabalho é realizado "sem que tenham de ser montadas estruturas como andaimes e com o mínimo de interferência com o funcionamento".

Como locais que gosta de "estar pendurado", Rui Farinha aponta a Ponte D. Luís, no Porto ou a Ponte 25 de Abril, em Lisboa. "Mas gostava de um dia executar qualquer tarefa de manutenção na Burj Khalifa no Dubai", diz, indicando que atualmente está nas torres de telecomunicações da TDF na Alemanha a trabalhar a mais de 250 metros acima do solo.