Durante os últimos anos, inúmeros casais dirigiram-se a Paris, mais precisamente à Pont des Arts, para declararem ao mundo o seu amor. Infelizmente tal tradição irá terminar por razões de segurança. Paris é a capital do amor, mas mesmo o amor tem regras e a razão deve sempre prevalecer sobre a emoção. Quando há pouco mais de cinco anos começaram a ser colocados cadeados na Pont des Arts, todos consideraram a ideia interessante e inovadora.

O ato de colocar um cadeado com duas iniciais na grade de uma ponte e atirar a chave ao rio Sena parecia ser inofensiva. Contudo, com a tendência à imitação comum em todos os seres humanos, e o facto de vivermos numa sociedade capitalista, um gesto inofensivo transformou-se num problema para a cidade de Paris.

Até há poucas semanas, milhares de turistas dirigiam-se à Pont des Artes e encontravam vários vendedores a vender cadeados a preços que variavam entre os cinco e os dez euros. A Pont des Artes transformou-se num dos marcos da cidade de Paris. Centenas de milhares de turistas deslocam-se todos os anos a Paris para visitar os extraordinários objetos de arte expostos no Louvre, maravilharem-se com a obra arquitectónico de Gustave Eiffel, a Torre Eiffel, e colocar um cadeado na Ponte do Amor. O resultado foi a acumulação de quarenta e cinco toneladas de cadeados que hoje colocam em risco a segurança de quem utiliza aquela ponte apenas para atravessar o rio.

Durante algum tempo Paris confrontou-se com a necessidade de resolver o problema de segurança e a abolição de uma tradição que é parte intrínseca da cidade. A decisão foi tomada e, no passado dia um de Junho, os trabalhos de remoção dos cadeados iniciaram-se. Desta forma será possível conservar a Pont des Arts que remonta ao início do século XIX. Quanto às chaves que repoisam no leito do Rio Sena, cerca de setecentas mil, ainda não existe solução.

Contudo, a tradição da colocação de cadeados já se alargou a outras pontes e tendo em conta que existem em Paris trinta e sete pontes sobre o Sena é fácil de imaginar que a tradição está longe de terminar. Pelo contrário, parece já ter alcançado cidades tão distintas como Berlim, Londres e Nova Iorque.

Por fim, quanto aos cadeados, muitos serão certamente derretidos, mas alguns talvez venham a ter uma segunda vida, já que existe a possibilidade de serem reciclados em obras de arte, desmentindo, desta forma, mais uma vez o mito que não existe amor como o primeiro. #Turismo #Curiosidades