Os responsáveis da Uber, rede internacional que se apresenta no mercado com o lema "chame um táxi, um carro privado, ou partilhe viagens a partir do seu telemóvel", tem sofrido vários processos que colocam em causa a sua existência. Devido ao facto de se tratar de um negócio com um funcionamento semelhante ao dos táxis tradicionais, com a diferença de ser mais prático e acessível, esta startup americana põe em causa a função dos taxistas, que se têm mostrado muito revoltados, desde a sua implementação em Portugal e em muitos outros países. Depois de o tribunal proibir a sua intervenção em Portugal, a Uber não cedeu e continua com os seus serviços ativos, até decisão contrária.

Não contentes com esta determinação, a associação dos taxistas invoca aos responsáveis desta rede internacional que "tenham o bom senso de respeitar as decisões judiciais e não persistam, como têm feito em Espanha, França e demais países europeus, com uma lamentável e irresponsável 'fuga para a frente'."

No entanto, as opiniões em relação à existência da Uber não são consensuais. Os representantes da petição "Queremos a Uber em Portugal", que conta já com 11 mil subscritores, estiveram hoje presentes no parlamento, exigindo que as diferentes perspetivas sobre este assunto fossem tidas em conta. No entanto, o juiz decidiu manter a proibição dos serviços em Portugal.

Todos estes julgamentos e processos levaram à detenção, nesta segunda-feira para interrogatório, em Paris, dos responsáveis pela Uber na Europa, Thibaud Simphal e Pierre-Dimitri Gore-Coty. Segundo a informação dada pelos seus advogados ao jornal Wall Street Journal, Simphal e Gore-Coty irão a julgamento no dia 30 de Setembro. De todas as acusações a que são sujeitos, destacam-se de "práticas comerciais enganosas", de fornecerem "um serviço de táxi ilegal" e de "armazenarem dados pessoais de forma ilícita".


Porém, é o serviço Uberpop, disponível na América, que tem levado a esta disputa. Este tipo de serviço consiste na inscrição de qualquer pessoa que tenha uma viatura e que se disponibiliza a transportar pessoas, sem que possua a licença de motorista. Esta situação é punida com coima que poderá chegar aos 300 mil euros e até dois anos de prisão.

França tem sido alvo de diversos protestos de taxistas que acreditam estar a ser alvo de concorrência pouco leal, o que se traduz na perda de 30 a 40% de rendimentos. Dois mil e oitocentos é o número de taxistas que protagonizaram os protestos ocorridos, onde se destacam o bloqueio dos principais acessos de várias cidades, fogo posto a pneus e destruição de alguns carros. De modo a evitar os acontecimentos que têm marcado a atualidade, em França, e a promover a paz, os taxistas têm esperança que as autoridades "cumpram e façam cumprir a lei e as decisões judiciais". #Negócios