Desde o início do Bloco de Esquerda que o partido luta a favor da descriminalização da cannabis. O seu consumo foi despenalizado há 10 anos. Em 2016, o objectivo do Bloco de Esquerda será a sua despenalização no que diz respeito à compra, venda e plantação desta planta. "É um compromisso que temos. Queremos que seja o ano da legalização e cremos que temos todas as condições para que o seja", diz o deputado do BE Moisés Ferreira ao DN.

O partido defende que a despenalização trará mais segurança ao consumo em si, assim como reduzirá a criminalidade, ao afastar as redes de tráfico deste produto.

A campanha tem tido como objectivo sensibilizar os restantes partidos, nomeadamente o PS e o PCP. Na última proposta o PS absteve-se, embora alguns deputados tenham votado a favor. A proposta propõe o cultivo pessoal de até dez plantas e que suas quantidades não podem exceder o consumo médio para 30 dias.

O BE também quer apresentar em 2016 a criação de "salas de consumo assistido", embora ainda não haja um projecto totalmente definido sobre como seriam estas salas. Contudo, as motivações são as mesmas, pois sendo legal ou ilegal, o consumo existe. Portanto, será sempre melhor o consumo ser vigiado, para que se assegure a saúde pública e até para podermos reabilitar quem consome drogas duras. João Goulão, presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, defende que o assunto deve ser avaliado com cautela, pois esta questão passa pelo facto de o cidadão supostamente informado saber ou não fazer as suas escolhas, sem se prejudicar, já que também compete ao Estado proteger o cidadão.

Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, deixou a mensagem durante uma arruada pelas ruas do Porto a 20 de Setembro deste ano, durante a campanha eleitoral. A deputada do BE distribuiu postais pelas ruas do Porto, informando que "se a cannabis for legalizada, sendo esta parecida com o tabaco e com o álcool, afasta quem a consome dos mercado ilegais, não alimentando assim as redes criminosas". #Legislação