Apesar do número de vítimas ter diminuído em 2015, está longe de ser o ideal, pois sempre que uma mulher morre às mãos de um companheiro há todo um país que precisa de repensar as suas estratégias e, apesar de todas as alterações legais que ocorreram na última década, da criação de associações de apoio à vítima, intervenção das forças de segurança, dos tribunais, da criação da lei específica para estes casos, das diversas campanhas de informação e de prevenção, dos diversos planos de combate à violência doméstica, os números dizem-nos que não fomos ainda capazes de diminuir nem o elevado número de participações ou queixas do #Crime de #Violência doméstica, nem sequer o número de mortes.

Todos os anos dezenas de mulheres são assassinadas às mãos dos atuais ou dos ex-companheiros. Em 2014 o ano foi negro para 42 mulheres. 35 foram mortas por companheiros e 7 por familiares. Segundo o jornal I, no ano passado 29 mulheres perderam a vida em ambiente doméstico.

O ciúme doentio, a dependência de álcool ou drogas ou o fato de alguns homens não aceitarem serem rejeitados podem estar nas principais causas.

E se as queixas podem tendencialmente vir a ser em maior número, devido a existir cada vez mais informação e consciencialização das novas gerações, já o crime cometido entre conhecidos tem crescido exponencialmente nos últimos anos, estando as desavenças familiares, zangas entre vizinhos, divórcios, partilhas, guarda dos filhos e os homicídios em ambiente familiar entre este tipo de crime.

Este tipo de crime tem em comum vítima e agressor conhecerem-se e estarem muitas vezes próximos fisicamente, vendo-se em muitos dos casos quase diariamente, fazendo com que os problemas e situações mal resolvidas  se acentuem e tomem proporções em que o agressor veja a vítima como a maior culpada de tudo o que de mal lhe acontece, sentindo-se minimizado perante os outros e procure vingança, quando o que a vítima quer mesmo é distância de forma a que os problemas tenham assim um fim. Para o agressor, o facto de a vítima querer seguir em frente e ser feliz torna-o ainda psiquicamente mais afetado.

A maior parte dos agressores são homens, normalmente com pouca capacidade de resistência, que não aceitam as frustrações, e para quem os seus problemas só se resolvem com a morte da vítima e muitas vezes com a sua própria morte. Não temem as consequências dos seus atos e muitas vezes depois de cometerem o crime entregam-se voluntariamente às autoridades ou ficam à espera que os vão deter.

Raros são os que escondem o que fizeram ou fogem; outros mais fracos e mais cobardes, depois de matarem a sua companheira, simulam tentativas de suicídio.

Cabe-nos combater esta realidade com prevenção, sensibilização e acima de tudo educação, que pode estar mesmo ao nosso lado. É necessário conhecê-la bem para que depois se possa combater.