Conhecido como o “melhor amigo” do homem, o cão é o animal de estimação que apresenta um maior número de raças. Hoje em dia, o desejo de ter um cão de raça pura atrai muitas pessoas e tornou-se quase uma moda. Mas quando uma raça se torna popular, os criadores querem ganhar dinheiro com isso e obter lucros fáceis. Há cruzamentos seletivos feitos com promessas de beleza, sem respeitar qualquer regra, o que pode induzir ao aparecimento de problemas de saúde que acompanham o animal ao longo de toda a vida.

Os criadores podem optar por três tipos de cruzamento entre cães: o inbreeding (consanguíneo), o linebreeding (cruzamento em linha, consanguinidade pouco intensa) ou o outcrossing (aberto, sem consanguinidade). O cruzamento de genes consanguíneos, utilizado muitas vezes em busca de determinadas características, não é recomendável. Este cruzamento predispõe o aparecimento de doenças tais como “a surdez, a cegueira, a displasia da anca ou do cotovelo e outras que podem ser mais difíceis de perceber, como uma falha na imunidade ou a infertilidade”, explicou Rita Carreira, veterinária e professora na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, ao jornal “Observador”.

Porém, apesar de alguns cruzamentos poderem criar cães com doenças genéticas, não existe legislação específica sobre esta prática. Impulsionados pelo lucro fácil, alguns criadores cruzam #Animais sem respeitar nenhuma regra e criam cães com características desvantajosas e pouco úteis para sobreviver na natureza. São misturados cães de raças diferentes com um único intuito em mente: criar cães bonitos e fofos que agradem às pessoas. São exemplos disso o bradoodle (mistura de labrador e poodle); o cockapoo (cruzamento de cocker spaniel e poodle); o Puggle (cruzamento do Pug e beagle) e tantos outros.

As pessoas costumam escolher os seus animais de estimação com base num determinado perfil e em determinada característica. Porém, este é um impulsionador para os cruzamentos seletivos entre cães. As doenças resultantes destas manipulações genéticas levam aos maus-tratos e ao abandono de animais, uma prática já considerada crime em Portugal.