É mais um caso em que crianças são retiradas a famílias portuguesas sob o pretexto de poderem correr perigo junto dos pais. A realidade é que estes casos têm-se multiplicado em Inglaterra. Iolanda Menino, técnica de cardiologia, teve o filho no dia 1 de Fevereiro na casa onde reside com o companheiro, Leonardo Edwards, com a ajuda de uma doula e de uma enfermeira do serviço nacional de saúde inglês. Apesar de a criança ter nascido bem, a mãe sofreu uma hemorragia e teve de ir para o hospital para ser operada.

Segundo o Público, as complicações não tardaram a surgir assim que voltou para casa: a polícia e o pessoal médico quiseram ver o bebé, o que apenas conseguiram através da janela, o que piorou ainda mais a situação, uma vez que Iolanda diz que desconhecia a obrigação de deixar os serviços sociais entrar em casa e avaliar a criança. Acabou por receber uma intimação para levar a criança ao hospital, local de onde o bebé não saiu mais, pois teria sido internado com sinais de icterícia. Desde aí, Iolanda e o companheiro, pai da criança, têm travado uma luta para voltar a ter o bebé. A mãe diz ainda ter recebido "um papel do tribunal' que a proíbe de falar do caso à comunicação social.

Iolanda e o companheiro criaram uma página no Facebook a pedir donativos pois, segundo esta mãe, no Consulado apenas lhe deram uma lista de advogados caríssimos com quem Iolanda entrou em contacto. Afirma ainda que já teve advogados ingleses, pagos pelo Governo inglês, mas que os dispensou por achar que estavam a piorar a situação.

A Cônsul portuguesa em Inglaterra, Joana Gaspar, confirma que estas situações de retirada de crianças a famílias portuguesas estão a aumentar e contabiliza já 30 casos, situação que a Secretaria de Estado das Comunidades não comentou. Pedro Proença, advogado especialista em Direito da #Família, comentou à RTP, depois da reportagem emitida sobre o caso, que "há um negócio" em Inglaterra, que está ligado ao sistema de acolhimento e adopção e que se vive um ambiente de "terror".

Relembre-se que este não é um caso isolado. Recentemente, e contrariando o sistema, o tribunal inglês reverteu a decisão e devolveu a filha que tinha também sido retirada a uma mãe portuguesa. Segundo a conceituada jornalista belga Florence Bellone, que é investigadora do sistema de adopções em Inglaterra e País de Gales, esta foi uma vitória inesperada, embora tenha conhecimento de mais quatro ou cinco casos em que as crianças foram devolvidas às famílias. Diz, contudo, tratarem-se de vitórias individuais dos pais e sublinha que noutros casos semelhantes, envolvendo famílias de outros países, foi muito importante o apoio dos respectivos governos, que pressionaram o sistema inglês.

No dia 10 de Junho está marcada uma audiência em tribunal para ser decidido o encaminhamento do filho de Iolanda para adopção. #Justiça #Direitos