Os chineses estão a apostar em força na energia solar enquanto energia limpa e não poluente. Sendo a China o país mais populoso do mundo, e como durante este século vai ocupar o lugar dos Estados Unidos enquanto primeira potência económica, industrial e certamente política do mundo - lugar que, de certa forma, foi seu durante muitos séculos - é interessante ver o que andam a fazer ultimamente. E não falamos do surgimento recente, no Parque das Nações (em Lisboa), de cartazes (outdoors) de publicidade de imobiliárias escritos em mandarim - o que é outro sinal interessante. Falamos da energia solar.



A cerca de 150 quilómetros de Pequim, em Baoding, situa-se a maior placa de células fotovoltaicas do mundo.

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40% da produção fica na própria China - o que impressiona, se pensarmos que o destino principal seria a exportação de placas mais baratas para todo o mundo. Em 2012, as placas solares vendidas na China geraram energia para alimentar uma cidade de 7 milhões de habitantes. É uma percentagem minúscula à escala chinesa, mas o caminho tomado é bastante claro - até porque a China é líder mundial na instalação de novas placas, à frente dos EUA.



O governo chinês será um dos que tem mais interesse nesta matéria. As metrópoles chinesas, como Xangai, Pequim e Cantão, são líderes mundiais em doenças respiratórias, em smog e em tudo o que de mau podemos imaginar quanto à qualidade. Os últimos 35 a 40 anos foram de aposta fortíssima na indústria, mas há sempre limites ao que as pessoas podem suportar.

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E é por isso que encontramos, na feira de energias renováveis em Pequim (a maior da Ásia), tecnologias tão diversas como placas fotovoltaicas flexíveis ou janelas solares (capazes de produzir energia a partir da exposição solar).



E quando pensamos no interesse das companhias petrolíferas em impedir o desenvolvimento de alternativas, esquecemos interesses também muito poderosos e "obscuros", que pretendem simplesmente - deixar a dependência do petróleo e promover a defesa do ambiente. É bom não esquecer que a China não tem grandes reservas de petróleo - e uma potência mundial não tem grande interesse em estar dependente dos outros para as suas necessidades energéticas. Tal como não tem necessidade de estar dependente do seu próprio "complexo militar-industrial" para resolver essa questão (a expressão é do presidente americano D. E. Eisenhower, o primeiro a alertar para o risco que o "complexo" viria a ter para a democracia americana.)