Um projecto colaborativo a nível europeu, no qual participa a Universidade do Minho, procura a possibilidade de produzir fertilizantes e electricidade através da urina humana. O projecto chama-se "Value From Urine" (valor da urina) e já despertou a atenção da Agência Espacial Europeia (ESA), que pretende vir a integrar esta tecnologia. A ideia passa por depurar a urina dos elementos que a constituem, de modo a poder reaproveitá-los, mas também que o próprio processo de decomposição e tratamento se torne útil. E dessa forma dando mais um passo na construção de uma sociedade sustentável.

O processo passa, necessariamente, pela recolha da urina de forma separada das fezes e das outras águas efluentes.

Publicidade
Publicidade

Para a produção de electricidade, a urina será recolhida numa célula microbiana. Aí, no momento em que as bactérias destroem a urina, produzem electrões. O dispositivo (a célula microbiana) recolhe os electrões num pólo negativo, que passam depois para um pólo positivo, tal como sucede numa pilha. Ao mesmo tempo, separando o azoto e o fósforo existentes na urina, será possível reutilizá-los enquanto materiais fertilizantes.

Como habitualmente, a dificuldade adicional estará em conseguir fazer chegar esta tecnologia até ao utilizador final e, principalmente, na sua rentabilidade. Só se a adopção de uma nova tecnologia for economicamente lucrativa - ou, pelo menos, se não se revelar um investimento financeiro demasiado elevado para os seus utilizadores - é que será possível implementar na prática.

Publicidade

Em países ou regiões subdesenvolvidos, ou simplesmente com sistemas de esgotos mais simples - e em simultâneo onde a produção de electricidade seja mais difícil - este sistema poderá, ironicamente, trazer benefícios de forma mais imediata.

Nas habitações modernas, que utilizam sistemas de tratamento de resíduos centralizados - onde toda a água é eliminada da mesma forma - será mais difícil fazer alterações que acomodem esta possibilidade. Mas essa será uma etapa posterior deste caminho. Para já, o sistema está a ser testado num condomínio com 200 casas na Holanda, onde além dos testes com a célula microbiana, existe uma outra vantagem mais imediata da separação das águas residuais: a reutilização da água de lavatório, duche e banheira para o autoclismo. #Educação