Abusar da utilização dos óculos da Google pode levar a movimentos involuntários (levar a mão à têmpora, onde se encontra o dispositivo que permite interagir com o gadget) e à gradual perda de memória de curto prazo. Os sintomas da abstinência incluem irritabilidade e frustração.

Estas e outras informações foram descobertas pelos médicos graças a um ex-soldado dos Estados Unidos que foi admitido em Setembro de 2013 numa clínica de reabilitação da Marinha norte-americana, especializada em abuso de substâncias e posterior recuperação.

Apesar de o homem de 31 anos ter sido internado devido ao seu problema com o álcool, os principais sintomas de abstinência terão começado após o paciente ter entregue os seus equipamentos electrónicos à entrada, de entre os quais o seu Google Glass.

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Um caso extremo

O ex-soldado chegava a usar o Google Glass 18 horas por dia, retirando-os apenas para tomar banho e dormir. A acessibilidade do gadget tornava-o atractivo ao paciente, que chegava a utilizar os óculos para melhorar a sua actividade no trabalho, que consistia em fazer inventários para a Marinha.

O hábito que gera uma recompensa (o prazer) estava por isso sempre presente na vida do ex-soldado que chegou a constatar que lhe estava a ser mais difícil ultrapassar o vício relacionado com o Google Glass do que aquele que o levou originalmente à clínica, segundo um artigo do jornal The Guardian.

O mesmo artigo cita o director da clínica, o médico Andrew Doan, co-autor do estudo sobre este primeiro caso clínico sobre o vício do Google Glass, que foi divulgado na publicação Addictive Behaviours."Não há nada inerentemente mau em relação ao Google Glass.

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O problema é que há muito pouco tempo entre cada utilização. Para um indivíduo que procura um escape, para um indivíduo com um distúrbio mental subjacente, para pessoas com predisposição para vícios, a tecnologia proporciona um caminho muito conveniente para aceder ao êxtase".

"O perigo de tecnologia que se acopla é que permite estar-se constantemente ocupado enquanto que aparentemente se está presente", explicou ainda.

Um vício como qualquer outro

Os sintomas do paciente são semelhantes aos de outros vícios. Neste caso em particular, os 35 dias de tratamento melhoraram a irritabilidade, a perda de memória de curto prazo e a confusão, assim como diminuíram a intenção de levar a mão à têmpora para usar o aparelho, mas o ex-soldado continuou a sonhar com o aparelho, como se o estivesse a utilizar nos seus sonhos.

Segundo a publicação deste caso clínico, o norte-americano tinha um historial de perturbações de humor e ansiedade, hipomania possivelmente relacionada com sintomas depressivos e problemas de controlo em relação ao álcool e ao tabaco.

Os especialistas ainda não encontraram um consenso em relação a desordens relacionadas com a tecnologia. Não se sabe ainda se vícios como este são um problema por si só ou se são um dos sintomas de outras perturbações que existam.