Cientistas alemães estão a estudar os efeitos da luz solar em Santiago do Cacém. Hipótese levantada aponta para benefícios reais da luminosidade alentejana em termos de ciclos de sono, combate à depressão provocada pela mudança de estação e também tensão arterial e ritmo cardíaco. Dois sensores colocados num edifício da Aldeia dos Chãos, perto de Santiago, emitem diariamente dados para a universidade de Wuppertal que permitirão comparar a natureza dos raios solares com a luminosidade existente na própria Alemanha. O estudo visa analisar a "composição das cores" e a "alteração das ondas solares" ao longo do dia. Os primeiros resultados já mostram uma prevalência de cores verdes e azuis, mais frias, da parte da manhã, e cores mais quentes, verdes e lilases, com o aproximar do final do dia.

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Os investigadores alemães suspeitam que a zona de Santiago dispõe de um sol mais favorável.

As diferenças de luminosidade entre o norte e o sul da Europa são uma realidade de senso comum geralmente aceite. Mas, porquê a especificidade de Santiago do Cacém em relação ao resto do território português? Maria Loureiro, membro da equipa responsável pelo projecto, aponta uma combinação de altitude e distância em relação ao mar, juntamente com a distribuição local sobre montes e vales, que poderá explicar esta diferença. A névoa que habitualmente se verifica na zona também poderá contribuir para influenciar a distribuição da luz. Finalmente, a equipa aponta a ocupação histórica de povos romanos e celtas, existindo mesmo um texto romano sobre Miróbriga referindo a luz natural positiva existente na área.

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As conclusões do estudo serão publicadas em Fevereiro de 2015, sendo que os primeiros resultados são promissores. O resultado do estudo poderá abrir caminho a uma certificação oficial que venha trazer mais turistas a Santiago do Cacém, especialmente nas áreas do turismo de bem estar e do ecoturismo.

Caso se comprove uma relação positiva entre os efeitos específicos da luz solar em Santiago do Cacém, Lisboa será a próxima cidade a ser estudada. A opinião é dada por António Barriga, cidadão residente em Lisboa e com raízes familiares no Baixo Alentejo. Em comentário ao Blasting News, Barriga aponta que "esse estudo no Alentejo pode ser também uma prova científica para as velhas piadas de alentejanos, sobre a descontracção e a calma que há na nossa região. A luz solar poderá realmente contribuir para sermos mais descontraídos." Barriga afirma também que "há muitos anos que dizem que a luz de Lisboa é especial - e tanto quem lá mora como os turistas. Com esse estudo no Alentejo, é quase certo que venham a fazer o mesmo estudo em Lisboa." E por que motivo é tão certo esse estudo? "Porque tudo o que acontece em Portugal acaba por ir parar a Lisboa ou ter de ser feito em Lisboa, também. Aconteceu por exemplo com as corridas dos aviões [Red Bull Air Race, n.d.r] que estavam no Porto e logo tentaram levá-la para Lisboa." Barriga conclui dizendo que "por mim, é claro que se Lisboa vier a ter essa certificação, será melhor para o turismo."