Um estudo desenvolvido na Universidade de Coimbra foi capa da revista "Human Brain Mapping", a mais importante publicação científica internacional no campo da neuroimagem. O estudo incide sobre a percepção visual e a forma como o cérebro processa informação visual não totalmente clara ou precisa.

Este estudo conclui que é com a colaboração de duas áreas ou módulos cerebrais que é feito o processamento de imagens de difícil identificação: um no córtex visual - a área que está "no terreno", que colecta a informação e que está naturalmente vocacionada para tal - e outro na ínsula anterior, uma área do cérebro ligada à dificuldade de decisão, e que é neste caso o "gestor" que ajuda a decidir sobre a informação captada em primeira mão pelo córtex visual.

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O estudo aplicou a electroencefalografia e a ressonância magnética funcional para conseguir os resultados. Para além do carácter inovador da investigação, a mesma foi destacada também pela "criatividade artística da exposição gráfica" do resultado, possibilitando uma compreensão facilitada do mesmo. Miguel Castelo-Branco, João Castelhano, Isabel Catarina Duarte, Michael Wibral e Eugénio Rodriguez são os nomes da equipa envolvida.

Espera-se que este estudo, aprofundando o conhecimento de que dispomos sobre o funcionamento do cérebro e em particular sobre o processamento de imagem e a percepção visual e espacial, possa auxiliar o combate a doenças deste foro, como o autismo e a esquizofrenia. A compreensão da forma como funciona a percepção visual e a sua reconstrução poderão ser passos importantes na procura da reconfiguração do cérebro, de forma a diminuir os efeitos da doença.

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A Universidade de Coimbra - e através dos HUC, os Hospitais da Universidades - é considerada, desde há muito, uma das potências nacionais no campo da neurociência. O Centro de Neurociências e Biologia Celular é o corolário de uma tendência em termos de capacidade de investigação e de neurocirurgia já visível desde os anos 80, e que, desde a sua criação em 1990, tem colaborado ao nível de programas de doutoramento com o MIT (Massachussets Institute of Technology), o programa Harvard Medical School-Portugal e a Rede de Institutos Neurocientíficos Europeus.