"Querida, onde está o jantar?" "Está a imprimir!" Este poderá ser um diálogo doméstico rotineiro num futuro que se antevê seja possível, já a partir do próximo ano. A empresa Natural Machines, recentemente implantada no mercado, com sede em Barcelona, apresentou na cimeira de tecnologias web de Dublin uma nova impressora 3D, especializada em imprimir comida. A "Foodini", como é chamada, é bastante semelhante a uma qualquer impressora 3D já existente, mas em vez de plástico derretido e moldado, produz ingredientes comestíveis espremidos do interior de cápsulas de aço inoxidável. "É a mesma tecnologia," explica Lynette Kucsma, co-fundadora da Natural Machines, "mas enquanto o plástico tem apenas um ponto de derretimento, a comida tem diferentes temperaturas, consistências e texturas.

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Também a gravidade vai um pouco contra nós, uma vez que a comida não mantém as formas tão bem quanto o plástico."

"Trata-se essencialmente de uma pequena fábrica de produção de comida, comprimida num aparelho do tamanho de um forno," disse Kucsma. Numa fase inicial, o marketing da impressora será direcionado primariamente às cozinhas profissionais, seguindo-se uma versão para utilizadores domésticos, cujo preço rondará os 1.000 dólares.

A ideia não é no entanto ter um "ajudante de preguiça" em que se carrega no botão e saem os raviólis impressos, mas sim tratar de preparações complexas que normalmente desencorajam as pessoas de cozinhar em casa, ao mesmo tempo que promove uma dieta saudável, ao exigir ingredientes frescos, preparados antes da impressão.

No entanto, a empresa está a trabalhar com os principais fabricantes de comida para produzir cápsulas de plástico pré-empacotadas, sem conservantes adicionados, que se podem simplesmente carregar na máquina para produzir comida.

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Presentemente o aparelho apenas imprime a comida crua, que depois terá ainda de ser cozinhada, mas futuras versões permitirão cozinhar o preparado, produzindo comida "pronta-a-comer".

Vem também com um elemento social: "Existe um ecrã de toque que permitirá os utilizadores ligarem-se à internet e aceder a sites de receitas e partilhar receitas nas redes sociais. Será igualmente possível controlar a impressora remotamente com um smartphone."

Isto se as pessoas não oferecerem resistência à ideia de consumir comida impressa: "Fizemos testes e toda a gente gostou da comida," explicou Kucsma. "Houve resistência nos anos 70 ao forno micro-ondas e, passados trinta anos, existe um em cada lar. Isto é comida verdadeira, feita com ingredientes verdadeiros e frescos. Apenas é preparada usando uma tecnologia diferente."

A empresa está a completar uma ronda de financiamento e pretende iniciar o fabrico industrial na segunda metade do próximo ano. #Inovação #Culinária