Foi instalada em 1901 no quartel dos bombeiros de Livermore, na Califórnia, Estados Unidos e consta que há 110 anos que não é desligada. A lâmpada mais antiga do mundo em uso, com 113 anos, poderá ser também o dispositivo eléctrico mais antigo, em uso contínuo, à face da Terra. O responsável pelo objecto, composto por um filamento de carbono e com uma potência de cerca de 10 watts, foi Adolphe A. Chaillet, que comercializou a sua invenção através da empresa Shelby Electric Company. A lâmpada está sob escrutínio público através de uma câmara que transmite a gravação que atesta a veracidade deste quase artefacto num site chamado Centennial Bulb (lâmpada centenária, em Português).

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Esta aperfeiçoada versão da lâmpada incandescente contou com a chamada "publicidade boca-a-boca", a começar pelo capitão do quartel de Livermore, por ser alegadamente mais segura e de qualidade superior. A empresa Shelby reforçou o marketing, assegurando através de campanhas que a criação tinha 30% mais longevidade e brilhava 20% mais do que as lâmpadas comercializadas na altura. A atestar estes dois factos estão 40 150 dias, tempo durante o qual a lâmpada tem estado acesa. A intenção do quartel dos bombeiros e da cidade é deixar a lâmpada acesa até esta se fundir e entretanto ir celebrando a sua duração.

Porque não duram tanto as nossas lâmpadas?

No documentário The Light Bulb Conspiracy ("A Conspiração da Lâmpada", em Português), a cineasta Cosima Dannoritzer investigou a fundo a premissa disseminada de que os objectos antigos parecem durar mais tempo e chegou à conclusão de que tal é possível graças à chamada obsolescência programada.

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O conceito implica que os produtores reduzem propositadamente o tempo útil dos produtos para incentivar o consumo e, segundo especialistas, tudo terá começado em 1925, precisamente na indústria das lâmpadas.

Foi alegadamente o cartel Phoebus, composto pelos maiores fabricantes de lâmpadas da Europa e dos Estados Unidos, que decidiu e pôs em prática uma forma de diminuir a duração das suas lâmpadas de 2 500 para 1000 horas. Obsolescência programada foi um termo que só surgiu depois, durante a década de 30, graças ao investidor norte-americano Bernard London, que sugeriu a prática para impulsionar a economia dos Estados Unidos durante a crise de 1929; mas o conceito só foi posto abertamente em prática na década de 50.

A produção em massa terá motivado a suposta necessidade de diminuir a qualidade dos produtos, mas também a de conhecer melhor o perfil do consumidor, o que por sua vez motivou o advento da publicidade. Além de propositadamente tornar os produtos mais baratos, mas diminuir a sua longevidade, a criação de modelos mais modernos pelas novas funcionalidades e design, que motivam o consumidor a adquirir um produto novo ainda que o seu ainda funcione, é outra das vertentes da obsolescência.

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No caso das lâmpadas, há a constante criação de modelos mais economizadores de energia e mais brilho, por exemplo. Ainda que estes possam não motivar necessariamente a troca de lâmpadas antes do fim de duração das que temos em uso e representem as actuais necessidades do mercado, são um exemplo de que como os objectos que temos em casa são continuamente tornados obsoletos. #Curiosidades