Ontem ouvi uma notícia que confirma o que escrevi recentemente: a geração i-XXI como designei a geração actual que passa todo o seu tempo a navegar na internet é cada vez mais real. Segundo essa notícia, o uso abusivo da internet já se tornou viciante; cerca de 25% da população portuguesa está viciada na internet e uma percentagem muito elevada dos portugueses não consegue passar um dia sem estar online. Todas as doenças são más, mas podemos considerar esta doença muito complicada e de difícil resolução. Sendo uma doença comportamental, psíquica e neurológica tem contornos muito diferentes das denominadas doenças físicas.

O vício é algo que por si só é muito grave e difícil de superar.

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Pessoalmente, penso que todos os vícios são praticamente impossíveis de eliminar sem ajuda. Psicologicamente é como um chamamento permanente ao qual é impossível resistir, mas com ajuda especializada e muita força de vontade é possível curar. Penso que a cura passa por ocupar a mente noutra vertente que em nada se relacione com o vício e manter o foco longe da fonte desse vício ou de áreas que tragam memórias dele.

Esta doença da geração i-XXI é e será muito difícil de curar, pois vivemos numa era dominada pela internet, este mundo virtual que se encontra presente em todas as casas; onde quer que estejamos sentimos a sua presença.

A cura nunca passará por um tratamento isolado, pessoas a pessoa, mas sim na alteração do comportamento à escala mundial, de modo a sensibilizar para a diminuição desta virtualidade.

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A internet foi concebida com um intuito estabelecido, mas com o passar do tempo e com a sua presença mais constante as mentalidades foram mudando e hoje praticamente todos nós temos amigos do outro lado do mundo, pessoas que nunca vimos. Podemos jogar jogos com um amigo chinês ou japonês a quem certamente nunca iremos apertar a mão. A vertente social e física propriamente dita está a desaparecer, tornando praticamente tudo virtual.

Isto é tudo muito preocupante. Hoje ouvimos falar da doença chamada vício, mas muitas mais irão surgir associadas a estes temas: doenças emocionais e sociais de cariz muito grave, que podem colocar em causa muitas vidas que neste preciso momento se isolam do mundo real.

Num período de 20 anos passamos do telefone fixo, do computador de secretária e da televisão de dois canais para aparelhos topo de gama que nos colocam o mundo nas mãos; digo aparelhos porque, neste momento, a diversidade e funcionalidades são tão grandes que não podemos chamar telefone, computador ou televisão, por isso surgem as designações "i-não sei das quantas".

São necessárias medidas urgentes ou corremos o risco ter consequências muito graves na próxima geração.