Os novos métodos de cadastro predial que se anunciam, provavelmente, terão como base a visualização através de ortofotomapas (fotografia aérea corrigida), porque não estou a ver os novos técnicos embrenharem-se em silvados para descobrir onde está o marco, ou se realmente ele existe. Se será um valado, ou o que é normal "a estrema deve ser ali". Os antigos métodos de avaliação fiscal (antigos louvados), para baixarem o valor da décima, hoje IMI, reduziam as áreas ao mínimo possível. Hoje, para conseguir maiores subsídios agrícolas e de comparticipação, aumentam-se as áreas. Também, para se conseguir maior aproveitamento urbano, estas áreas são empoladas.

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Conclusão: tudo depende da responsabilidade dos técnicos envolvidos.

Adivinham-se gabinetes em Lisboa com técnicos altamente qualificados, a medir terrenos através do #Google e a facturar por área inserida. Os louvados que sempre acompanharam os processos de partilhas mediam os terrenos a passo, com fita métrica, ou ainda a "olhómetro", mas estavam no local e faziam uma ideia daquilo que viam. Um topógrafo efectua levantamento das estremas e confirma-as pelas informações recolhidas ou pelos elementos visíveis. O topógrafo assina o trabalho que faz.

Os novos técnicos levam um GPS, fazem a sua medição, se tiverem bom sinal. São dados fiáveis, mas se o sinal for mau, houver árvores ou obstáculos que impeçam o sinal, também fornecem os dados e que se lixe a base para onde vão.

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Até porque não assinam o que enviam. Se um terreno tiver quatrocentos metros quadrados (20x20), se houver vegetação que impeça um bom sinal GPS, esses dados podem ter erros de três metros ou mais, ora oitenta metros de perímetro vezes três, são quatrocentos e vinte metros quadrados. Cinquenta por cento de erro.

Será que a nova legislação não tem por fim o rigor nas medições, mas tão só a recolha de receitas para o Estado? Penso que tudo seria mais simples, por exemplo: não desmantelar o antigo IGC; tributar com valores razoáveis todos os rústicos; obrigar os proprietários a colocar marcos, conforme portaria existente; obrigar proprietários a registar todos os prédios sob pena de expropriação; definir áreas piloto para implementar este sistema mais rapidamente e com coerência.

Tudo ao molho, a nível nacional, com técnicos formados em novas fornadas, vai ser bonito…. Por último, o Estado deveria ser obrigado a adquirir pelo valor que avalia, porque avalia mal, em alguns casos elevadíssimo. Os proprietários querem vender, não têm comprador, mas se não for pago o IMI, o Estado penhora e vende por valor muito abaixo da dívida, satisfazendo assim a agiotagem que gravita em torno destes sistemas maléficos.