No interior árido da nação mais ao sul da África existem planos ousados para ir ao encontro de um continente inexplorado: os confins do espaço. É no deserto de Karoo, na África do Sul, que está prevista começar a construção da Square Kilometer Array ("Matriz Quilómetro Quadrado"), um conjunto de 3.000 antenas de satélite que funcionarão em sincronia alternada, dentro de uma área de um quilómetro quadrado. Este conjunto altamente sensível de pratos e antenas irá actuar como um telescópio gigante - o maior do mundo, quando estiver construído, segundo a Organização SKA - sondando o coração escuro do espaço. Uma selecção de antenas de rádio fará também a cobertura contínua das ondas radiofónicas entre 70 MhZ e 10 GhZ que penetram a atmosfera terrestre.

Os cientistas esperam que este projecto lance nova luz sobre fenómenos ainda envoltos em mistério, como quasares, matéria escura e buracos negros. De acordo com Phil Diamond, Diretor Geral da Organização SKA, o projecto poderá mesmo permitir que os cientistas "apanhem sinais de extra-terrestres", caso eles existam, embora esse não seja o principal objectivo do projecto. Existe também a possibilidade de captar informação sobre os primeiros momentos da evolução do Universo.

Benefícios económicos

Para a África do Sul, e para o continente africano, bem como para os onze países membros da Organização SKA, existem claros benefícios. Embora sediado no Reino Unido, o Telescópio SKA terá localização "dual" na Austrália e na África do Sul, com estações remotas a serem implantadas no Botswana, Quénia, Madagáscar, Ilhas Maurícias, Moçambique, Namíbia, Zâmbia e Gana. A construção, observação e manutenção destas instalações irão fornecer empregos especializados para as populações locais.

O Director do Projecto SKA South Africa, Bernie Fanaroff, adiantou que a matriz telescópica irá gerar maior quantidade de dados num único dia do que aquela que já existe hoje em toda a internet. Como tal, novo software está em desenvolvimento para destrinçar os dados relevantes e permitir que humanos possam interagir com eles de maneira simples e eficaz. Dada a crescente importância na indústria contemporânea da colecção e análise de "Big Data", o governo da África do Sul está a tomar um risco calculado de que as tecnologias subjacentes encontrarão utilização comercial, em África e não só.

Para alguns, o investimento num programa espacial caro não é compatível com uma situação de pobreza e subdesenvolvimento, mas para Fanaroff a opção é clara. "Não aceitamos que a África do Sul tenha de permanecer na franja da civilização", disse Fanaroff. "Para a África do Sul, bem como para toda a África, esta poderá ser a próxima grande história de crescimento económico. Vamos desempenhar um papel no futuro," acrescentou.

(Fonte: CNN)