A ida a Marte está planeada há muito. Falo, evidentemente, da ida de pessoas a esse planeta. Já muitas sondas robóticas foram lançadas para o quarto planeta do sistema solar (oficialmente composto por oito mundos e uma séries de rochas de grande porte para lá deles, na cintura de Kuiper), mas uma missão tripulada tem sido um objetivo ilusivo, distante. No entanto, não há dúvidas de que o desenvolvimento da exploração espacial passa obrigatoriamente pela aterragem de seres humanos em Marte.

Veja-se que a última vez que se levou alguém para outro corpo celeste foi durante a derradeira das missões Apollo, a 7 de Dezembro de 1972.

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Portanto, há muito que não saímos da órbita do nosso próprio planeta. É com o objetivo de dar o próximo salto na exploração espacial que a NASA espera testar a nave espacial Orion. Na verdade, esta nave não é especialmente extraordinária. Ainda estamos longe dos avanços dignos da Guerra das Estrelas ou do Star Trek, e a Orion é pouco mais do que uma cápsula adaptada para missões de longo curso. É ligeiramente maior do que a Apollo usada nas missões à Lua, capaz de albergar quatro tripulantes em vez de três, e evidentemente preparada para missões de maior alcance.

Há outro motivo para a existência da Orion, convenhamos, uma vez que desde a descativação do vaivém espacial que as missões de manutenção da Estação Espacial Internacional estão dependentes das cápsulas Soyuz russas. Um design com quase cinquenta anos e que coloca a responsabilidade das missões nas mãos de uma nação que age de modo cada vez mais agressivo em relação aos Estados Unidos.

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A Orion, numa versão evidentemente aligeirada em relação à que se espera que venha a explorar Marte, também existe para suportar estas operações.

Para este primeiro teste da Orion foi escolhido o foguetão mais poderoso em operação no mundo, o Delta IV Heavy. Parte da longa família Delta IV, este modelo existe para lançar cargas excecionalmente pesadas, e cada unidade custa mais de 370 milhões de dólares. Convém no entanto ter em mente que apesar de os foguetões modernos serem bastante seguros quando comparados com os seus predecessores, a possibilidade de falhanço existe, e problemas com a velocidade do vento durante a janela de lançamento impediram a realização do teste esperado para hoje. Amanhã voltar-se-á a tentar o lançamento.

No futuro, contudo, espera-se que se venha a utilizar o chamado Sistema de Lançamento Espacial (SLS na sigla inglesa). Este será o maior e mais pesado foguetão de sempre, sendo capaz de lançar até 130 toneladas de carga para o espaço, e custando mais de 500 milhões de dólares por lançamento.

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Será também a única plataforma capaz de lançar a missão completa da Orion com vista a aterrar seres humanos em Marte. O SLS será apenas testado em 2018 e posteriormente preparado para as futuras missões, esperadas para a década de 2030.

Não obstante o sonho inerente a todos estes projetos, fica para nós a questão acerca do porquê de tudo isto. A defesa usualmente apresentada (a necessidade de exploração e expansão da humanidade para a sua própria sobrevivência a longo prazo) contrasta constantemente com os custos envolvidos e os problemas enfrentados na Terra na atualidade. Qual é a sua posição em relação a este paradigma? #Curiosidades