Sabe cozer um ovo? Parabéns. Alguma vez pensou em "descozê-lo"? Pois. Essa é mais difícil do que resolver o velho mistério sobre o que nasceu primeiro: o ovo ou a galinha. Enquanto nos questionávamos sobre isso, a comunidade científica já procurava resposta a outro desafio: se mudarmos de planos para o almoço de hoje, haverá forma de repor aqueles ovos cozidos no frigorífico, como novos? Ora, de acordo com um estudo publicado recentemente, isso é perfeitamente possível. Mais ainda, a descoberta abre novas portas no campo da pesquisa biotecnológica.

A cozedura de um ovo não implica simplesmente o endurecimento do seu interior. O processo de cozedura desdobra proteínas e recompõe-nas de uma forma que a ciência pensava ser irreversível. Agora, um engenho concebido por investigadores da Universidade da Califórnia, no seu polo de Irvine (UCI), separa estas proteínas e permite-lhes reverterem à forma original naturalmente. "Começamos com claras de ovo cozidas durante 20 minutos a 90 graus Celsius e repomos a trabalhar uma proteína-chave do ovo", explica o professor de química Gregory Weiss. "Não é que estejamos muito interessados no processamento dos ovos; isso é apenas para demonstrar como este processo é poderoso. O real problema está na grande quantidade de proteínas desfeitas que ficam alojadas nos tubos de ensaio e que demoram a retirar, quando podemos ter forma de recuperar esse material".

Por outras palavras, as proteínas moleculares em laboratório têm o péssimo hábito de desagregar-se e assumir formas inúteis.

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Com o passar do tempo, este desperdício torna-se muito dispendioso, atingindo cerca de 140 biliões de euros em material que a indústria de biotecnologia não aproveita. Este novo processo é uma oportunidade para reciclar proteínas e tem implicações importantíssimas para tudo, da produção alimentar à investigação contra o cancro. "O novo processo demora minutos", afirma Weiss. "Acelera as coisas milhares de vezes".

A UCI registou a patente do engenho e encontra-se agora à procura de parceiros comerciais interessados, de modo a torná-lo uma realidade. É certo que o estudo pode ter mais interesse para empresas de pesquisa, mas pode muito bem ser que um dia tenhamos à disposição nas nossas cozinhas um "descozedor de ovos". Nunca se sabe. #Inovação