Não faltam, nas várias lojas de aplicações móveis, opções para os amantes de redes sociais. Para além das já amplamente mediáticas, temos as que prometem nunca apresentar publicidade, aquelas feitas para viajantes (feita em Portugal)... temos até a rede social do Governo. Mas agora surge a rede social viral: Plague

Habitualmente usamos o termo viral para descrever a forma como a informação se espalha pela internet, mas esta nova app de comunicação social levou esse conceito ao extremo. Em vez de usar a palavra "vírus" como uma metáfora, esta aplicação, chamada Plague e desenvolvida na Lituânia, está a fazer do vírus o modelo para espalhar conteúdo de dispositivo para dispositivo.

Cada "infecção" é um simples pedaço de conteúdo: seja um texto, um link, uma foto ou um vídeo. Quando alguém o liberta, o sistema da app procura imediatamente os quatro smartphones mais próximos que tenham o Plague instalado, "infectando-os" com o seu conteúdo. Cada um desses quatro utilizadores terá a opção de propagar esse conteúdo, deslizando a imagem para cima - e infectando mais quatro utilizadores nas proximidades - ou optar por não o propagar, deslizando a imagem para baixo, diminuindo, assim, a propagação desse "vírus". Para além destas duas acções, que constituem a base da interacção, é também possível comentar os conteúdos. É tão simples como isso.

Enquanto cada conteúdo identifica o seu "paciente zero" por nome e local geográfico, os restantes utilizadores (os que propagam) permanecem anónimos. Não há nenhuma maneira de seguir ou enviar mensagens a utilizadores específicos. O único modo de interagir é lidar com as infecções como e quando elas surgem, e essa é a beleza desta app. Enquanto outras aplicações de redes sociais permitem que os utilizadores acumulem muitos seguidores e influência - aumentando assim as hipóteses de qualquer bit do seu conteúdo se tornar viral - na Plague todos começam e permanecem em pé de igualdade.

A Deep Sea, empresa criadora do Plague, lançou a app apenas para Android e iOS há menos de um mês e, até ao momento, não fez qualquer promoção da mesma. Apesar disso conta já com mais de 3000 downloads só no Google Play. A mesma empresa tinha já produzido uma aplicação de partilha de fotos relativamente bem-sucedida chamada "We Heart Pics".

Neste momento, o Plague depende da localização GPS para encontrar os seus possíveis vectores de infecção, mas Ilya Zudin, um dos criadores, disse que a sua equipa está preparar-se para o dia em que a app atinja um nível de utilização onde as infecções possam ser transmitidas por contacto muito mais próximo. Uma actualização para o Plague vai permitir que a aplicação comunique "off-the-grid", estabelecendo conexões utilizador-utilizador via Wi-Fi Direct e Bluetooth, sem conexão à Internet e sem qualquer servidor a actuar como intermediário, disse Zudin. Se é adepto de aplicações móveis isto pode soar-lhe familiar, dado que este mesmo meio "off-the-grid" já foi usado pela app de mensagens FireChat, permitindo que os utilizadores próximos mantenham a comunicação quando a Internet cai. A actualização é chamada "Modo das Trevas" e Zudin reconhece que a Deep Sea está a ser criativa e divertida na criação de nomes, mas também admitiu ser cauteloso sobre a possibilidade de criar uma ferramenta de propagação de conteúdo anónimo realmente "fora da rede". Se os dispositivos, usando este sistema, se comunicassem continuamente de forma anónima abaixo do radar da Deep Sea, poderia haver a difusão de conteúdo ofensivo e ilegal, sem qualquer verificação ou prestação de contas.

Pelas suas características e pela visão dos seus criadores, esta aplicação pode vir a dar que falar muito brevemente, mudando a forma como as pessoas se comunicam, na medida em que a ligação à Internet e o controlo de terceiros deixam de ser peças fundamentais.