As pessoas que tenham smartphones ou tablets com as versões mais antigas do Android - cerca de 60% de todos os utilizadores do sistema operativo - vão ter de viver com uma falha de segurança que a Google decidiu não corrigir. Um conhecido bug no navegador web que vem por defeito com o Android 4.3 Jelly Bean e nas versões anteriores do sistema operativo móvel da Google vai ficar por resolver, escreveu o director de segurança para Android num post publicado sexta-feira no Google Plus. "Manter o software actualizado é um dos grandes desafios da segurança", referiu Adrian Ludwig. Como o browser tem mais de dois anos, corrigir a vulnerabilidade "não é prático de fazer em segurança", explicou.

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A Google confirmou sábado que a opinião defendida por Ludwig no post é a posição oficial da empresa neste assunto. A decisão deixou preocupados muitos especialistas em segurança, que temem que os hackers possam facilmente atacar centenas de milhões de pessoas que usam telefones e tablets que correm as versões mais antigas do Android. Ludwig contrapôs dizendo que o número de pessoas potencialmente afectadas pela vulnerabilidade "está a encolher todos os dias". Mas, para os especialistas, não está a encolher suficientemente rápido.

De acordo com dados da própria Google, 39,1% dos smartphones e tablets utilizam a nova versão do Android, 4.4 KitKat, que não é afectada. A mais recente versão do sistema operativo, o 5.0 Lollipop, lançado em Novembro, representa menos de 1% dos dispositivos Android.

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Isto significa que 60% dos dispositivos Android utilizam as versões do sistema operativo que incluem o navegador em causa.

As consequências de ter tanta gente a utilizar tantas versões diferentes do sistema operativo é que torna-se muito mais complicado protegê-las, frisou Tod Beardsley, da empresa de segurança Rapid7. "Infelizmente, estas são excelentes notícias para os criminosos, pelo simples motivo que, para os maus, praticamente tudo é um alvo", escreveu no blogue da empresa.

Comprar um novo telemóvel ou tablet que utilize as versões mais recentes do Android não é uma opção para muitos, devido ao preço dos aparelhos, que chegam a custar dez vezes mais do que os mais antigos. Adrian Ludwig recomendou aos utilizadores do Android 4.3 ou anterior que utilizem um navegador diferente. Sugeriu o Google Chrome, que funciona no Android 4.0 Ice Cream Sandwich e nas versões mais recentes; ou o Mozilla Firefox, que corre no 2.3 Gingerbread e todas as versões lançadas desde então. Contudo, mudar de browser não resolve completamente a falha.

Tod Beardsley disse compreender a decisão da Google, por causa das dificuldades que implica actualizar um código antigo. Mas salientou que espera que a empresa reconsidere a sua posição, devido ao enorme número de pessoas que dependem do Android "para gerir e proteger os detalhes mais pessoais das suas vidas".