Indícios químicos retirados de amostras rochosas antiquíssimas sugerem que a vida, na sua forma primordial microbiológica, poderá ter florescido há cerca de 3.2 biliões de anos. Sendo certo que a vida pode existir sem oxigénio, para que vírus, bactérias e outros microrganismos formem genes é absolutamente vital a existência de nitrogénio. Até agora, os cientistas admitiam que a capacidade de utilizar nitrogénio atmosférico para suportar um leque mais abrangente de vida em terra teria surgido 1 bilião de anos mais tarde. Assim se explica a importância desta descoberta.


Segundo Roger Buick, professor de ciências da Terra e do espaço na Universidade de Washington, Estados Unidos, o estudo agora realizado mostra que "não houve uma crise de nitrogénio nos primórdios da Terra, logo o planeta pode ter sustentado uma biosfera alargada e diversa". Os investigadores efetuaram análises em formações rochosas na África do Sul e na parte ocidental da Austrália, que são das mais antigas e bem preservadas existentes no planeta. Os resultados acabam de ser publicados na revista Nature.


As rochas estudadas não apresentam irregularidades químicas e formaram-se antes de surgir oxigénio na atmosfera, pelo que ainda preservam determinados registos químicos. Estes registos indicam agora que a vida terá começado a retirar nitrogénio do ar há bem mais de 2 biliões de anos. A autora principal do estudo, Eva Stüeken, afirma: "É fascinante imaginar que este processo muito complicado é tão antigo e que tem funcionado da mesma forma há 3.2 biliões de anos. Sugere que enzimas muito complexas ter-se-ão formado muito cedo, pelo que talvez não seja tão difícil para elas evoluírem".


Para fixar nitrogénio biologicamente é preciso captá-lo da atmosfera, quebrar a ligação que mantém os seus átomos em pares, e formar um composto nitrogenado com uma molécula. Esse composto é, então, mais fácil de utilizar por um organismo vivo. Ora, os indícios químicos das rochas estudadas sugerem que a fixação de nitrogénio terá sido efetuada por uma enzima de molibdénio. Hoje em dia, o molibdénio é muito comum e existe em abundância na #Natureza, porque o oxigénio entra constantemente em reação com as rochas e ele acaba por escorrer em direção aos oceanos. No entanto, a presença tão antiga de molibdénio na Terra, anterior à própria existência de oxigénio na atmosfera, é outra revelação interessante.


Os autores do estudo sugerem que estes traços podem constituir uma prova adicional de que a vida poderá ter existido em camadas unicelulares, as quais exalavam pequenas quantidades de oxigénio. Esse oxigénio terá reagido com as formações rochosas e formado molibdénio, libertado posteriormente para as correntes de água. Na impossibilidade física de descobrir provas diretas, estes resultados apontam, de forma sólida, ainda que indireta, para a existência de organismos vivos em terra.