O governo alemão anunciou a intenção de criar uma lei para regular a circulação de carros sem condutor humano, que se movem com o recurso a tecnológica informática e de localização. Os alemães prevêem que, com os avanços na tecnologia dos computadores e automóvel, dentro de poucos anos estes carros serão uma realidade comum nas estradas, e não querem deixar nada por planear. É objectivo do governo alemão ter um projecto para apresentar no Salão Automóvel de Frankfurt, a decorrer em Setembro. De acordo com o Tek Sapo, uma das principais preocupações é a questão dos seguros em caso de acidente (de quem é a responsabilidade, como determinar, etc.). O governo vai convocar os "parceiros sociais" (indústria automóvel, partidos políticos, investigadores) para definir este primeiro projecto.


A Alemanha poderá mesmo inovar ao nível do Direito Internacional. A Convenção sobre a Circulação Rodoviária, assinada em Viena em 1968 e ratificada por cerca de 70 países (incluindo a Alemanha e Portugal), prevê que deva existir um condutor para qualquer veículo, e que deve estar em boas condições físicas e psíquicas para tal. A Convenção é, naturalmente, omissa quanto à possibilidade de o condutor ser um computador - tal hipótese era do domínio da ficção científica em 1968.


O governo alemão mostra-se, assim, atento aos últimos desenvolvimentos desta tecnologia. A Google tem um projecto em desenvolvimento há já vários anos, tendo já percorrido milhares de quilómetros sem incidentes de maior. E a Audi, o construtor alemão, já conseguiu equipar um dos seus carros de corrida de forma a rodar ao nível dos pilotos humanos. Na verdade, serão os esforços dos construtores alemães que estarão a inspirar o governo a legislar desde já. O KITT, de "O Justiceiro" (Knight Rider) de Michael Hasselhoff, já anda entre nós - só não tem ainda o mesmo sentido de humor do Pontiac negro da série americana.


A precaução alemã não é despropositada. Pelo contrário, é habitual e normal que as inovações tecnológicas surjam antes da respectiva regulação, uma vez que só depois de se ver como a tecnologica funciona na prática é que as sociedades sentem a necessidade de regular - ou controlar - a sua utilização. Silvério Marques, professor de Direito da Universidade de Coimbra, referia uma expressão que "o Direito é o carro-vassoura das Ciências Sociais: vai atrás", utilizando uma expressão do ciclismo. Assim aconteceu, entre inúmeros exemplos, com o automóvel (só depois da massificação é que surgiu a necessidade de criar códigos de estrada), com os acordos internacionais de aviação, desnecessários antes da criação dos grandes voos internacionais de passageiros, ou até com a proibição de utilizar o telemóvel durante a condução. Um dos exemplos mais recentes é a utilização de drones, sendo que nos Estados Unidos já surgiram algumas iniciativas para regular a utilização destes aparelhos. 
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