Alunos de três escolas primárias de Lisboa vão aprender programação informática. O programa pressupõe que as crianças compreendar como funciona a programação, sem precisarem de compreender "a complexidade da linguagem por trás", de acordo com o o fundador e responsável do projecto, Domingos Guimarães. O objectivo é que as 65 crianças não comecem a escrever e desenvolver código de programação em computadores, mas sim que entendam o conceito e, eventualmente, descobrir vocações.  


O projecto chama-se Academia de Código Júnior e resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa, as Universidades Nova e de Aveiro, a empresa Code for All e também o mecenato da Fundação Calouste Gulbenkian, que colabora com 120 000 euros. Os alunos vão utilizar uma linguagem informática desenvolvida para o efeito pelo célebre MIT (Massachusetts Institute of Technology), o instituto tecnológico norte-americano de renome mundial. As escolas situam-se em Carnide, Marvila e São João de Deus.


Domingos Guimarães sublinha que o objectivo do programa é que, a curto prazo, as crianças possa ter "a experiência da programação informática ao longo do ensino obrigatório", uma vez que a necessidade de programadores e engenheiros informáticos vai crescer nos próximos anos. O programa prevê também uma versão destinada a licenciados desempregados, que deverá ser implementada ainda durante o primeiro trimestre de 2014.


Ignorância oficial

O projecto parece estar a ser implementado sem que o Governo, a classe política ou os média lhe dêem importância, embora António Costa, na qualidade de presidente da CML, tenha feito as honras da apresentação oficial do projecto hoje, na Fundação Calouste Gulbenkian. É possível que o PSD pretenda demarcar-se da imagem "tecnológica" deixada por Sócrates e pelo Magalhães. Contudo, esta atitude contrasta com a iniciativa do presidente americano Barack Obama, que incentivou todos os americanos a aprender a programar. Ao contrário do que se possa pensar (uma vez que as empresas gigantes da internet e da tecnologia de computadores são norte-americanas), a América tem uma relativa falta de vocações nesta área, especialmente comparada com alguns países asiáticos. Num país pequeno e com uma cultura tecnológica já firmemente implantada, a programação poderia, eventualmente, ser um dos pilares da recuperação económica, nm cenário a longo prazo. #Educação