Está a ter um mau dia e resolve expor no Facebook o que está a sentir. Começa por escolher o emoticon referente ao "está a sentir-se" (feeling) e apercebe-se que nas opções complementares poderá escolher anunciar sentir-se "gorda" (fat) ou "feia" (ugly). Para duas jovens britânicas da cidade inglesa de Brighton, estas opções do Facebook promovem uma imagem nociva do corpo feminino, e, por isso, lançaram a petição "Remove the body-shaming 'I Feel Fat' & 'I Feel Ugly' status options and emoticons from all versions of Facebook" (em português, Remover as vergonhosas opções de estado e emoticons relacionados com o corpo, 'sinto-me gorda' e 'sinto-me feia', de todas as versões do Facebook), que pode ser acedida e assinada no site Change.org.

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As jovens, Charlotte, de 22 anos, e Vicky, de 21 anos, sustentam os motivos desta petição afirmando que estas opções de estado são um incentivo à corrente de julgamento a que estão sujeitas milhões de raparigas em todo o mundo, as quais se sentem pressionadas a ser perfeitas. De acordo com as impulsionadoras desta campanha, "não precisamos de uma opção de estado para ser ainda mais fácil sentirmo-nos mal connosco".

A petição foi lançada no início da semana com o apoio da Endagered Bodies, um movimento global que luta contra a promoção de uma imagem negativa do corpo feminino criada pela sociedade, contando já com 7000 assinaturas. Foi criada, ainda, uma hastag, #FatisNotaFeeling (gorda não é um sentimento), ao qual aderiram inúmeras mulheres, que se fotografam com um papel branco onde se lê a frase na sua língua original.

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A questão da imagem e da aceitação do corpo tem sido alvo de análise ao longo dos últimos anos, sobretudo porque as redes sociais têm sido um meio fácil para propagar mensagens de ódio e bullying entre camadas mais jovens. Muitas mulheres continuam a sentir-se alvo de ataques à sua imagem, ataques esses incentivados pela promoção de um padrão de beleza, que começa no dito corpo saudável e em determinados atributos físicos. Para muitas delas, a luta pela aceitação começou cedo, na adolescência, e Charlotte e Vicky concluem que após um enorme esforço por parte de muitas mulheres em lutar contra preconceitos, em que se notavam já algumas melhorias, o "Facebook decidiu puxar as mulheres novamente para baixo".