A política de privacidade das Smart TVs da Samsung está no centro de uma polémica que, segundo explica o The Guardian, tem deixado os utilizadores preocupados e despertado a atenção de diversos activistas. Em causa está um aviso que os novos produtos da marca incluem, o qual alerta as pessoas para o risco de conversas íntimas ou sensíveis poderem ser inadvertidamente captadas pelo software de reconhecimento de voz do televisor e enviadas para um intermediário (third-party), tal como acontece com as instruções normais que os utilizadores dão às Smart TVs. Os defensores do direito à privacidade ouvidos pelo diário britânico comparam a nova política da empresa à obra do escritor George Orwell.

Publicidade
Publicidade

Os porta-vozes da empresa, por outro lado, garantem que os receios são infundados.

Em declarações ao The Guardian, a Samsung garante que a privacidade dos utilizadores é um aspecto levado "muito a sério" e assegura que a encriptação de dados e outras práticas de segurança impossibilitam a "recolha e uso não autorizados" de informação sobre os clientes. Posto isto, a companhia sul-coreana esclareceu ainda que "não retém informação relativa à voz" dos utilizadores, nem a vende "a terceiros". Esta só é acedida por um intermediário no momento em que as pessoas solicitam uma informação ou conteúdo ao aparelho, que será fornecida pelo servidor, assim que este reconhece o pedido. Na declaração enviada ao diário inglês, a empresa garantiu finalmente que os dados alusivos à voz que a TV reconhece e utiliza são as ordens e instruções de pesquisa dos utilizadores.

Publicidade

Mas o processo continua a levantar polémica, com vários porta-vozes a manifestar o seu cepticismo relativamente ao funcionamento das Smart TVs. Também em depoimentos captados pelo The Guardian, a activista Emma Carr considerou "escandalosa" a política de privacidade da Samsung, a qual deixa claro que, mesmo que o reconhecimento por voz seja desactivado, continuarão a ser recolhidas informações sobre o uso do aparelho. A directora do Big Brother Watch, uma organização dedicada à luta pelos direitos de privacidade, acrescenta que os utilizadores não têm "conhecimento ou controlo" sobre "para onde vai a informação e quem tem acesso a ela".

Outro dos activistas citados pela imprensa internacional é o norte-americano Parker Higgins, porta-voz da Electronic Frontier Foundation - mais uma organização apostada no combate à invasão da privacidade - que compara os novos televisores da Samsung aos 'telecrãs' imaginados pelo britânico George Orwell, na obra '1984'. Recorde-se, todavia, que a gigante sul-coreana não é a primeira empresa a conhecer a ira dos utilizadores por recorrer ao sistema de reconhecimento por voz, tendo-se registado polémicas também com a Apple ou a Google, por exemplo.