A Samsung admitiu que interfere na privacidade individual através dos seus aparelhos televisivos que coloca no mercado. No passado a Samsung foi denunciada como criadora de mecanismos de vigilância ilegais nas televisões que produz. Finalmente a Samsung admitiu o facto. Quando um espectador está na sua privacidade com uma televisão Samsung, tudo o que ele diz está a ser gravado, e os dados de voz são "enviados para um servidor" durante o processo de gravação.

O site texano Infowars foi um dos primeiros a noticiar largamente o abuso. Mas já antes comentadores e documentários individuais no YouTube tinham exposto a mesma situação. A bomba rebentou quando inumeráveis sites de tecnologia resolveram investigar o assunto, referiu Paul Watson, jornalista da DrugReport. E a atenção caiu em cima da política de privacidade da Samsung que diz: "esteja ciente que as suas palavras podem incluir informações confidenciais e tal informação estará entre os dados capturados e transmitidos a terceiros por meio do uso de reconhecimento de voz". Confrontada com a arbitrariedade e ilegalidade desta política, a Samsung não recuou, afirmando em resposta a um activista da Electronic Frontier Foundation - que classificou estas TVs Samsung como "arrepiantes" - que os usuários podem "optar por sair do recurso de reconhecimento de voz".

As Televisões Samsung têm uma opção por reconhecimento de voz em que o espectador pode, por voz, solicitar um determinado conteúdo televisivo, a um servidor; mas o que acontece na prática é que por este "serviço" o espectador está a ser permanentemente vigiado por gravação. A empresa acrescentou em comunicado que "salvaguardamos e usamos as práticas de segurança padrão da indústria, incluindo criptografia de dados, para proteger informações pessoais e evitar o seu uso não autorizado."

Mas o activismo do bloguer Joe Fabbets borrou a pintura da Samsung. Quando este quis saber junto da Samsung mais acerca do processo, os representantes da marca Sul Coreana não conseguiram explicar e ficaram confusos acerca das razões da recolha de dados de voz. Mas o caso vai mais longe, porque Fabbets insistiu: "Você está a cumprir ordens do tribunal federal para gravar o que eu digo na minha sala de estar?", quis saber, "Sim, senhor, exactamente" respondeu o representante da Samsung.

Esta sociedade da vigilância parece estar a querer forçar o quotidiano ocidental. A Microsoft informa os seus usuários, acerca do Kinect, "que não deve esperar qualquer nível de privacidade a respeito da utilização dos recursos de comunicação ao vivo", para além da Microsoft também advertir que a esta lhe é permitido aceder a informações suas, e usá-las incluindo o conteúdo das comunicações. Tenha cuidado se revela o pin do seu multibanco em voz alta, na sua própria casa.

O próprio senador americano Mccain confirma esta realidade opressiva quando publicamente ironizou: "É o mundo em que vivemos, você pode não gostar, mas tudo que eu digo é gravado". Uma outra tecnologia como as "Boxes" para canais por cabo das televisões também têm sido apontadas como recolectoras de dados de voz e os próprios auto-rádios e GPS serem antenas gigantes de emissão nos carros particulares. Mas mais grave é, sem dúvida, o caso da Mattel, que acaba de lançar uma Barbie espia, que grava tudo o que as crianças - e adultos presentes - dizem, alegando que se trata de registar informação para especialistas acerca das crianças.