Dois pilotos suíços iniciaram esta manhã de segunda-feira, 9 de março, a primeira viagem à volta do mundo num avião movido exclusivamente por energia solar. Com espaço para apenas um piloto, a viagem é composta por doze etapas, intervaladas pelos dois pilotos, André Borschberg e Bertrand Piccardi, sem qualquer controlo de oxigénio ou temperatura. O Solar Impulse 2 partiu do aeroporto de Al Bateen, em Abu Dhabi, em direção a Mascate, no Omã, sob o comando de Borschberg. Atingindo uma velocidade máxima de 140km/h, a viagem do avião deverá ser realizada a metade dessa velocidade, de modo a poupar energia, demorando cerca de cinco meses a ser percorrida.

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Um total de 35 mil quilómetros, a 8 500 metros de altitude.

A principal dificuldade, afirmam os pilotos, é manter a concentração. Contrariamente aos voos comerciais, o Solar Impulse 2 exige atenção constante. Assim, para aguentar as 250 horas (ainda que intervaladas) que cada piloto terá de realizar, sobretudo quando enfrentarem as travessias de vários dias sem paragem do Pacífico e do Atlântico, terão de descansar vinte minutos, a cada duas horas, e praticar yoga para aliviar o desconforto físico. Piccardi é já um veterano nestas aventuras, tendo participado, em 1999, na viagem de balão à volta do mundo sem paragens. Psiquiatra de profissão, ensinou ao colega técnicas de auto-hipnose para evitar a perda de concentração.

O avião contém cerca de 17 mil painéis solares, distribuídos pelas asas, e um banco de baterias de lítio para conservar energia para as viagens noturnas.

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Quanto ao cockpit, é pouco maior que um automóvel de dimensão média, e que Borschberg e Piccardi terão de partilhar com sistemas de apoio à vida, comida, reservas de oxigénio e um multifacetado lugar de piloto, que serve cama, cadeira e casa de banho.

O avião é considerado o transporte de massas que maior consumo de combustível exige por passageiro. Esta viagem histórica é, assim, mais um passo dado em direção a um mundo mais verde. No entanto, Borschberg não tem ilusões. "Temos de perceber que estamos no período entre os Irmãos Wright e Charles Lindbergh, nos anos 20 do último século. Então, ainda serão precisos 20, 30, 35 anos para voar limpo. Novas tecnologias têm de ser desenvolvidas, isto vai demorar tempo."

Borshberg deverá chegar a Mascate no final do dia de hoje, após doze horas e 400 quilómetros percorridos. A viagem prossegue, então, para leste, passando por várias cidades na Índia, depois China e, de seguida, em direção ao Havai, atravessando uma das etapas mais difíceis, a travessia do Pacífico. #Ambiente