As alergias ao pó do apagador de um quadro de ardósia já não são desculpa para ninguém. Lá à frente, todos podem interagir com um quadro de ecrã tátil, mas nem precisam. A monitorização pode ser feita remotamente ou em rede. Lapiseiras digitais e pranchetas touchscreen podem fazer a vez de um peso desadequado, que os alunos deste século ainda carregam às costas todos os dias da semana.

Antigamente, no início do ano letivo, eram 20 ou 30 artigos que podiam completar um inventário do material requerido por um professor - se fossem três professores, triplicava-se a lista de material necessário. Conforme se lê em "Mudar as aprendizagens", da Fundação Calouste Gulbenkian, abrindo um editor de texto, uma criança pode hoje alterar o tamanho e o tipo de letra; a espessura do traço da escrita ou do diâmetro da borracha; escolher as cores que quer usar, sem precisar de andar com um estojo para canetas e outro para os lápis de cor. Com a digitalização dos conteúdos e dos manuais tudo se tornará mais leve.

Através do Programa de Qualificação das Novas Gerações, a Gulbenkian lançou o desafio a uma equipa da Universidade de Évora. O principal objetivo era "promover mudanças nos modos de aprender e na robustez dessa aprendizagem, tornando-a mais significativa e mais duradoura", diz José Verdasca, líder da equipa daquela universidade do Alentejo, que está a trabalhar com o ensino básico de três agrupamentos da mesma região: Ponte de Sor, Vendas Novas e Vidigueira.

E não se pense que os miúdos se transformam em "bichos-do-mato", de queixo contra o peito, com a postura comprometida. Com os tablets na sala de aula, diz que ainda vão à rua, brincar no recreio, quando toca para o intervalo. De acordo com Ana Cristóvão, bolseira que integra a equipa de Verdasca, também se "pretende trabalhar as competências sociais, emocionais e a criatividade".

Equipamento doado pela Samsung

O equipamento informático das três escolas foi todo doado pela Samsung, que assinou protocolo com a Fundação Calouste Gulbenkian em julho do ano passado. Mais do que instalar tablets e um quadro de ecrã tátil, numa sala de aula com ligação à Internet sem fios, a "iniciativa pretende privilegiar a inclusão de conteúdos e manuais digitais que permitam tirar o melhor partido das tecnologias", assevera a empresa tecnológica coreana. #Educação