É já neste mês que Portugal irá ter um laboratório onde poderá testar a reentrada de naves espaciais na atmosfera terreste. Este é um projeto que será financiado pela ESA (agência espacial europeia) e que se desenvolverá no Instituto Superior Técnico. De acordo com o coordenador do projeto, Mário Lino da Silva, este será o local de excelência para a pesquisa espacial em Portugal e representa o investimento mais avultado feito pela ESA em território nacional. Ainda segundo informações dadas por Mário da Silva, este laboratório representa a forma mais económica e fácil de "reproduzir as condições de entrada na atmosfera planetária de uma nave espacial a uma velocidade bastante elevada".

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Ou seja, o que a equipa de investigadores produz são ondas de choque que viajam num tubo a cerca de dez quilómetros por segundo.

Este laboratório será totalmente construído no Campus Tecnológico e Nuclear do Instituto Superior Técnico, localizado em Sacavém, onde há o reator nuclear português. Por forma a resistir a explosões, foi construído um canhão de ar com cerca de dezasseis metros de comprimento, sendo que uma parte do edifício será construída a seis metros de profundidade.

Mário Silva explica que a equipa trabalha com uma câmara de combustão onde se faz o enchimento de uma mistura de hidrogénio, oxigénio e hélio, à qual se dá ignição com um fio quente. Desta forma é possível a formação de altas pressões e elevadas temperaturas, havendo um diafragma que separa as altas e baixas pressões que, num dado momento, se romperá devido às condições extremas.

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O gás de alta pressão é despejado no de baixa pressão dando, assim, início a uma onda de choque. O mais fantástico disto é que todo este processo ocorre em micro-segundos.

Geralmente o tempo que o processo demora a preparar é de três horas mas a finalização, como foi referido, é bastante rápida. A sua rápida finalização é, para esta equipa, uma vantagem. Garantem que este é um passo fundamental para a investigação no Velho Continente, uma vez que este estava à mercê da boa vontade dos Estados Unidos ou da Rússia na cedência dos tubos de choque para que fosse possível fazer as experiências. #Inovação