Seja um romântico programa a dois, uma tarde bem passada em família ou uma viagem de estudo, as Bloons e as Voyagers irão, nos próximos anos, levar pessoas a passear sobre a atmosfera terrestre. Com o máximo conforto, entre quatro a seis passageiros, apoiados por uma tripulação de dois pilotos, poderão desfrutar de uma privilegiada vista sobre a Terra. Tudo enquanto jantam uma refeição gourmet, tomam uma bebida ou recebem uma massagem.

A ideia da Bloon nasceu mesmo aqui ao lado, em Espanha, da mente de Jose Mariano López-Urdiales, fundador da Zero2infinity, uma das empresas que irá proporcionar estas promissoras experiências espaciais. A partir de 2000, López-Urdiales começou a desenvolver um projecto que permitisse a milhares de pessoas ver o planeta sob outra perspectiva, e que fosse, simultaneamente, eco-friendly (“amigo do ambiente”). Assim nasceram as naves espaciais Bloon, uma cabina panorâmica com capacidade para quatro passageiros e dois tripulantes, ligada a um balão movido a hélio, uma substância inerte e benigna para o ambiente que tem sido utilizada pela NASA em testes espaciais, uma vez que permite um custo de descolagem substancialmente mais baixo. Para além das preocupações ambientais, a empresa teve o cuidado de criar uma estrutura sem máquinas, cujo funcionamento causa poluição sonora. A plataforma de descolagem, a Dome, pode ser transportada para qualquer parte do mundo, permitindo que as Bloons possam ser lançadas sem recurso a infraestruturas fixas.

A World View® é uma empresa americana que conta, na sua equipa, com investigadores de renome e ex-astronautas da NASA, como Mark Kelly, veterano de quatro missões espaciais e agora director de operações da tripulação de voo. O seu objectivo é proporcionar não só experiências únicas e de cortar a respiração, mas, também, quebrar barreiras à investigação e aprendizagem, uma vez que estas viagens espaciais permitirão adquirir novos conhecimentos acerca do funcionamento do planeta. As Voyagers são, também, cápsulas desenhadas para o máximo conforto, elevadas por um balão movido a hélio. Permitem transportar até seis passageiros e dois tripulantes, que terão acesso à internet para publicarem nas redes sociais imagens e vídeos em tempo real enquanto bebem ou petiscam um lanche, disponível num bar. Os materiais e tecnologias utilizados foram testados ao longo de várias décadas, permitindo que as Voyagers ofereçam a máxima segurança aos seus passageiros com o menor impacto ambiental possível.

As viagens de balão poderão durar entre cinco a nove horas, desde a descolagem até à aterragem das naves. Durante duas horas as cápsulas irão sobrevoar até 40 km acima da superfície terrestre antes de iniciar o seu processo ascendente. Apesar de não entrarem no espaço (para isso, teriam de sobrevoar pelo menos 100 km acima da superfície da Terra), os passageiros irão usufruir da visão do planeta na escuridão que estamos acostumados a ver nas imagens espaciais, pois estarão na chamada “thin blue line” da atmosfera terrestre. Ambas as naves espaciais disponibilizam WC.

Pela módica quantia de 110 mil euros, a Zero2infinity está, desde já, a aceitar reservas, que podem ser complementadas com vários serviços à medida de cada cliente. Os voos da Voyager custarão cerca de 75 mil dólares. No entanto, os curiosos terão de esperar pelo menos até 2016, uma vez que testes continuam a ser feitos para maximizar a segurança dos passageiros. #Inovação