Ganimedes, a maior lua de Júpiter e de todo o sistema solar, tem estado a ser observada pelo telescópio Hubble. Todas as provas indicam que tem água salgada em forma líquida debaixo de uma fina crosta gelada. Existe também a possibilidade de que esse vasto oceano tenha mais água que o próprio planeta Terra. As agências espaciais norte-americana NASA e europeia ESA fizeram esta descoberta ao observar, através do Hubble, as auroras nas regiões polares desta lua, provocadas pelo seu campo magnético e pelo campo magnético de Júpiter. Uma vez que a água salgada é condutora de electricidade, o movimento do oceano influencia estes campos magnéticos.


John Grunsfeld, administrador assistente da Science Mission Directorate da NASA diz: "Esta descoberta marca um passo significativo, mostrando aquilo que só o Hubble consegue fazer. Em 25 anos de órbita, o Hubble já fez inúmeras descobertas científicas sobre o nosso sistema solar, e um oceano debaixo da crosta gelada de Ganimedes abre imensas possibilidades emocionantes para vida fora do nosso planeta."


Ganimedes, além de ser a maior lua do sistema solar, chegando inclusive a ser maior que o planeta Mercúrio. É também a única lua do sistema solar que possui o seu próprio campo magnético. Os cientistas estimam que o seu oceano tenha 100 quilómetros de profundidade, 10 vezes maior que o do nosso planeta, tornando-se assim o segundo objecto extraterrestre confirmado com água em forma líquida. A lua Europa, que também orbita em torno de Júpiter, foi o primeiro.


Água em forma líquida é vital para a possibilidade de existência de vida. Sempre que os astrónomos procuram novos planetas semelhantes à Terra, procuram sempre planetas dentro da zona habitável do seu sistema solar, a uma distância ideal da estrela que permita a existência de água líquida no planeta. A existência de água líquida nas luas Europa e Ganimedes abre muitas mais possibilidades na procura de vida extraterrestre: se três satélites (incluindo a Terra) possuírem vida, quantos outros planetas e luas terão vida pelo Universo fora? Ainda mais se incluirmos metano líquido à equação, visto que a lua Titã, a maior lua de Saturno, possui metano liquido à sua superfície, e está também a ser observada.