Chega até nós pelo Canal Odisseia, integrado numa série documental, "Catástrofes Extraordinárias", que encena os momentos mais avassaladores, a nível mundial, numa escala de devastação limite. Numa combinação onde entra a tecnologia de vanguarda, análises científicas, a par da investigação de terreno e entrevistas com especialistas, esta série foi vendida a vários canais norte-americanos e europeus, tendo os portugueses, na altura, recusado. Entre a tempestade na floresta negra e, por exemplo, a batalha de Moscovo, surge o terramoto de 1755, numa espetacularidade de efeitos que conquista, de imediato, quem vê o documentário. Agora, com protagonismo nas redes sociais, ganha ainda mais visibilidade e não passa despercebido aos cibernautas.

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Sismo, tsunami e incêndio

O dia foi o 1 de novembro. Bastaram ligeiros movimentos de duas placas tectónicas gigantescas para criar um sismo de magnitude de 8,5, com epicentro a 240 quilómetros de Lisboa. O resultado foi um tsunami com ondas de 15 metros, que, em menos de 40 minutos, atingiu a capital, percorrendo as suas ruas com destruição e morte. Como milhares de velas acesas marcavam a celebração do Dia de Todos os Santos, tradicionalmente conhecido por ser o dia em que se recordam os entes falecidos, um poderoso incêndio juntou-se ao cenário de catástrofe que se espalhou a toda a cidade. 10% da população morreu e Lisboa começou um longo caminho, renascendo entre ruínas, cinzas e cadáveres.

Um novo terramoto?

É um tema polémico. Segundo vários especialistas em sismos, há uma forte possibilidade de Portugal vir a sofrer um terramoto, seguido de tsunami, que, por falta de preparação, causará a morte de dezenas de milhares de pessoas.

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A Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica realça esta situação, já que as políticas de controlo da qualidade da construção e os planos de reabilitação urbana têm ignorado esta grande ameaça, sobretudo quando constatamos que mais de um terço da orla costeira de Portugal Continental está ocupado, seja por habitação, portos, turismo ou indústria. Se, para uns, não é possível prever um sismo deste calibre, para outros, o cálculo de risco é real e aponta para este cenário. Para quando? Não se sabe. Entretanto, há verdades que não devem ser descuradas: há, efetivamente, uma falta de solidez na maioria dos edifícios portugueses, não se investem os devidos esforços em ações de esclarecimento, formação e em simulacros. Se houver um sismo desta escala em Portugal, sabemos que a Assembleia da República, que recebeu obras de reforço antissísmico, vai manter-se erguida. #História