Liga-se com frequência ao Facebook? Se, por algum motivo externo, não consegue aceder à sua conta, é “invadido” por uma sensação de ansiedade? Então pode muito bem preencher os requisitos necessários para entrar no grupo “Facebookianos Anónimos”. Existe aliás uma plataforma, denominada por “FaceAnonymous”, desenvolvida por dois viciados nesta rede social que, sentindo-se desconfortáveis pelo tempo que gastavam online, decidiram avançar com este programa de ajuda, uma espécie de “plano de desintoxicação”. O #Facebook Reahb consiste num programa de duas semanas em que os intervenientes anotam e partilham com a comunidade as suas entradas por dia na conta.

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Esta ideia não parece, no entanto, ter o sucesso expectável, talvez porque a tentação continua a ser muito grande.

Paulo Azevedo diria que não basta ter consciência da existência de uma dependência. “Se ficarem por aí vão ter que se auto-monitorizar para o resto da vida, o que pode levar a um ou vários deslocamentos para outras dependências. As #Redes Sociais no lugar da vida vivida não são piores do que doses industriais de chocolate em substituição de um abraço”, reforçou o especialista que acredita ainda ser importante procurar ajuda especializada em casos mais extremos. No fundo o objectivo passará por perceber “as razões pelas quais substituem o universo infinito de uma esplanada, um concerto, um troca de olhares ou mesmo um livro, por uma ínfima fracção de tudo o que poderiam experienciar e sentir”.

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Já Cláudia Pires de Lima recorda que muito antes da existência do Facebook, já se falava na dependência dos telemóveis e no vício das mensagens escritas. “Quando deixamos de fazer coisas normais na nossa vida, como por exemplo conviver com alguns amigos, para estarmos em casa no facebook a falar com eles, são mudanças que devem servir de alerta. Estar à mesa para uma refeição em família e não conseguir resistir a consultar o telemóvel que tem a aplicação aberta, descansar menos porque não se controlam as horas de utilização da rede social e outras, leva-nos a refletir se, nestes casos, está a haver uma utilização responsável do Facebook”, alertou.

A internet é útil, abriu horizontes, é certo, mas sejamos ponderados”, acautelou, desde logo, Marta Tavares. Hoje, para a especialista, “as pessoas andam como crianças perdidas em corpos de adultas à procura de rumo e de respostas fora delas próprias. Não vão chegar a lado nenhum a não ser com mais dependência, mais alienação, mais confusão”, defendeu.

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Importa, por isso, deixar um repto que poderá mudar a forma de ver o mundo. Já dizia José Saramago existir uma “perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo”. Por isso, “desperte”, aclamou a especialista. “Desliguem os computadores, calcem umas sapatilhas e vão passear para um jardim, leiam bons livros, liguem aos vossos amigos, combinem um piquenique no fim-de-semana, coloquem a música no máximo e dancem até ficar com os ‘bofes de fora’. Vejam o pôr-do-sol enquanto pedem ao universo que vos mostre o caminho para todos os vossos sonhos. Vivam! Sonhem! Sejam os arquitectos os cientistas do vosso futuro. Vai valer a pena!”. #Blasting News Portugal