Desenvolvido em 2014 por um investigador da Universidade de Coimbra (UC), este sistema de inteligência artificial vai agora fazer parte da rede social Twitter e participar de forma ativa ao "inventar" poemas da sua autoria inspirados nos assuntos que são mais debatidos. O seu criador, Hugo Oliveira, trabalha como investigador no Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC) e não poupa elogios ao seu "poeta artificial", pois acredita que não vai ter limites e que nunca lhe faltará inspiração, pois consegue facilmente gerar poemas em menos de um minuto, ao analisar os temas que são mais discutidos no Twitter. 

Como funciona?

O PoeTryMe é na realidade um sistema informático inteligente que usa como apoio redes de palavras que estão relacionadas de acordo com os seus sentidos.

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Utiliza também padrões de versos, que obtém através da análise de poesia escrita por humanos, e é através de tudo isto que gera poemas, em língua portuguesa, sobre os mais diversos temas. Estreou-se agora na rede social Twitter e tudo começa como se de um normal utilizador se tratasse: PoeTryMe recebe os últimos "tweets" onde estão os assuntos mais comentados no dia e é a partir destes mesmos assuntos que o sistema vai efetuar uma contagem das palavras mais usadas, chegando mesmo a retirar as que considera ruído. Depois é só seguir as regras do Português, ao utilizar os substantivos, verbos e adjetivos mais frequentes para começar a gerar novos poemas. Isto tudo é feito de forma automática e autónoma. 

Hugo Oliveira revelou ao Jornal de Notícias que se sentiu inspirado para conseguir testar os limites do sistema e encontrar uma forma automática de este gerar poemas a partir de várias fontes de inspiração virtual.

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Revela que um dos motivos por que decidiu começar pelo Twitter foi o facto de haver a possibilidade de o seu PoeTryMe poder brincar com as palavras e interagir com outros utilizadores mais orgânicos.

Acrescenta ainda que está bastante curioso sobre se a conta da sua criação atingirá um grande número de seguidores, que possam mesmo vir a tornar-se fãs das palavras de PoeTryMe. O investigador português acrescenta que já é possível experimentar uma versão mais simples onde pode utilizar o PoeTryMe para fazer os seus próprios poemas. Refere ainda que, para além de ser um autêntico escritor de poemas, o PoeTryMe também dá alguns toques de compositor, chegando mesmo a gerar letras para músicas de diversos estilos. 

O caso de Tay: a Inteligência Artificial que virou racista:

É de relembrar que esta criação portuguesa foi lançada apenas alguns dias antes de a Microsoft ter sido forçada a eliminar o seu sistema de inteligência artificial que começou a publicar comentários racistas. O sistema chamava-se Tay e, tal como o português PoeTryMe, aprendia a comunicar através de várias interações com outros utilizadores na mesma rede social, o Twitter.

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A diferença é que o PoeTryMe comunica através de poemas gerados pelo seu sistema e a Tay comunicava diretamente com outros utilizadores.

O objetivo era que o sistema de inteligência artificial da Microsoft ficasse cada vez mais inteligente e fosse capaz de aprender com as conversas que tinha com outros utilizadores. Infelizmente, o robô acabou por tornar-se o alvo preferido de cibernautas racistas, que "ensinaram" ao sistema como responder a perguntas com frases bastante ofensivas. A Microsoft não teve outra solução senão desativar Tay, a sua conta no Twitter e apagar praticamente todas as suas publicações na rede social.  #Inovação #Curiosidades #Redes Sociais