Tony Bennett e Lady Gaga editaram "Cheek to Cheek", um álbum de duetos onde revisitam 18 grandes clássicos da música jazz americana, desde Cole Porter a Duke Ellington ou Irving Berlin - o compositor da célebre música que dá nome ao álbum, celebrizada por Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Certamente um dos duetos com maior diferença de idade na história da música: Bennett tem 88 anos e Gaga 28. No caso de Lady Gaga, trata-se de uma verdadeira aterragem de pára-quedas no mundo que não parece ser o seu. De onde virá a inspiração para um dueto aparentemente tão improvável, entre duas figuras tão distantes, na idade, na atitude e no estilo?

Tony Bennett não é um estreante nas andanças dos duetos.

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O dueto é uma forma de Bennett, uma das grandes estrelas da canção norte-americana, chegar a novos e diferentes públicos, de diferentes gerações, que por essa via redescobrem uma voz que de outra forma associariam a outras épocas e outros estilos. Paul McCartney, Bono, George Michael, Diana Krall ou Amy Winehouse são apenas alguns dos que participaram anteriormente nos seus álbuns de duetos.

Para Stephanie Germanotta, nome real de Lady Gaga, é mais um passo na sua reinvenção contínua. Senhora de um percurso único, em termos de atitude, de pose e de estilo, no sentido de se tornar a nova Madonna, Lady Gaga nunca recusa um desafio - o arrojo e o experimentalismo são a sua imagem de marca. Um caminho que não é imitável, como se vê com Miley Cyrus, que tenta ser a nova Lady Gaga mas não encontra o seu próprio estilo.

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Além de estar a caminho de ser a nova rainha da pop, no lugar de Madonna, Lady Gaga é senhora de uma voz formidável - mais do que Madonna, que muitas vezes foi forçada a apostar numa condução arriscada e num visual apelativo do chassis para disfarçar a falta de potência do motor. Assim, surgir com um visual retro e clássico, empregando todas as suas qualidades vocais de uma forma que os seus fãs, os fãs de Tony Bennett, e o mundo em geral, nunca viram, é como se fosse mais uma uma das suas mil caras. #Entretenimento

Descobrir uma sonoridade nova, um ambiente novo, construir uma experiência musical, que enriqueça os sentidos dos ouvintes: eis o objectivo último da composição musical. Pesem os outros objectivos (comerciais ou de carreira) de Bennett e Germanotta, é algo que sem dúvida conseguiram com Cheek to Cheek.