Não sou fã, porque não gosto desse termo, faz-me lembrar dependência, subserviência, enfim, doença. Vem isto a propósito do Miguel Sousa Tavares. Sempre que posso, não perco as suas crónicas, os seus livros, os seus comentários. Admiro o Miguel pela sua liberdade de expressão, aliada ao conhecimento e a um nível superior de saber criticar. Dele não se poderia esperar outra coisa, até porque o ADN tem influência no nosso comportamento.

Seu pai Francisco era o verdadeiro "vulcão" do jornalismo, os seus comentários televisivos, não se podiam perder. Ele prendia-nos ao televisor. As suas crónicas nos jornais eram terror para os seus inimigos que preservava com muito orgulho.

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O pai Francisco teve como escola uns ignominiosos censores do antigo regime, que o obrigaram a saber contornar a estupidez destes fulanos do lápis azul. Um parênteses: Ouvi há dias um comentador, muito popular na #Televisão, que lê dezenas de livros por semana, afirmar que foi o primeiro comentador televisivo em Portugal. Não deve ter conhecido o Francisco Sousa Tavares. O Miguel, filho do Francisco, soube beber a superior "acintosidade" do pai.

O Miguel teve por mãe uma SENHORA que, não terá sido Nobel, por estar num país pequeno de mais para ela. Ler Sofia, é pouco, ler Sofia é um estado de alma, é um tratamento. Miguel soube "beber" a superioridade intelectual de sua mãe. Miguel é um senhor na escrita, na cultura, no jornalismo, nos comentários. Mas, Miguel como qualquer ser humano, por vezes espalha-se ou finge que se espalha, eis a minha dúvida.

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Ao ler a crónica no expresso de 8/11/2014, não percebo se, por intenção ou por omissão, ele nos transmite algumas incorrecções. Gostava de ouvir a opinião dele mas como não tenho o seu email, faço este texto. Pode ser que chegue até ele e seja esclarecido da sua intenção.

Diz nessa crónica "há quarenta anos que Portugal não está em guerra e há mais de cem (talvez desde Mouzinho em Chaimite) que não regista um feito militar digno desse nome, ou seja, não temos heróis militares." Não falando nos heróis do 25 de Abril, será que não terá havido nenhum feito digno desse nome em África? Será que o mérito da aliança militar-intelectual de Melo Antunes, após o 25 de Abril, não foi um feito militar digno de registo? Brincando: será que a perseguição movida aos portugueses por políticos incompetentes, não é uma forma de estar em guerra?

Ainda, diz ele, sobre Portugal: "em cem anos, não ganhou mais que um Nobel…." Referia-se a Saramago, será que Egas Moniz foi há mais de cem anos? Ainda e referindo-se ao desporto: nos últimos cem anos, só encontra Carlos Lopes, Rosa Mota e Cristiano Ronaldo.

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Será que Eusébio foi há mais de cem anos? Entendo que aqui funcionou a sua costela portista. Mas, um comentador do nível do Miguel deveria ser muito superior a essas coisas. Ser portista não é necessário desconhecer Eusébio. Sou Benfiquista, não gosto do Pinto da Costa, mas admiro-o em muitas situações, aliás ainda há dias enviou uns recados ao teu "palhaço" e com razão. Também não esqueço o célebre golo do Madger.

Miguel, um abraço!

#Famosos