No passado Domingo, o concorrente Hugo foi eliminado do concurso reality-show Secret Story 5, a Casa dos Segredos da estação de televisão TVI. De acordo com o site da revista Bravo, a eliminação (na gíria, "expulsão") de Hugo foi inesperada e de molde a causar uma surpresa para os telespectadores. Aparentemente, depois de ser nomeado para ser eliminado pela concorrente Vânia, Hugo recebeu a maioria dos votos dos teleespectadores, o que ditou a sua expulsão. De acordo com o Correio da Manhã, fãs do concorrente concentraram-se à porta da "casa" e agrediram Vânia com socos e pontapés, em imagens censuradas pelo canal.

O episódio motiva várias reflexões. O facto de a estação de Queluz ter cortado as imagens é de louvar. Não só para não chocar os espectadores sensíveis, mas também para não promover a violência como meio de interacção dos espectadores com o programa. Ao contrário da chamada de valor acrescentado, o soco não dá qualquer lucro à TVI.
Além disso, o facto de terem sido cortadas demonstra que foram as cenas mais "reality" deste reality-show. Muitas vezes, a realidade ultrapassa a ficção e vem estragar o que até era um bom guião.
Finalmente, constatamos novamente que os reality-shows concentram o pior que há em nós. Ir esperar um concorrente num concurso em que o mérito é aparecer continua a ser uma ideia estranha. Sendo que, se forem familiares ou amigos do concorrente, até se compreende a solidariedade. Mas nunca se consegue entender que, por causa de um concurso, se parta para a violência.
Mais do que isso, é uma opção antidemocrática, a destes fãs. É um flagrante atentado à liberdade de expressão da concorrente Vânia, que apenas usou os meios ao seu alcance e previstos pelo concurso. O público, aparentemente, escolheu Hugo para ser eliminado. Quereriam os fãs bater também em todos os portugueses que votaram a expulsão de Hugo?
Refira-se, ainda sobre a votação, que, embora o Secret Story 5 seja um concurso autorizado pela Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna, os fãs de Hugo são livres de suspeitar que a votação não tenha sido "limpa". Mas se for esse o caso, nem o soco é um meio válido ou razoável para resolver o problema, nem a concorrente Vânia a pessoa certa para responder à questão.