"Asylum" ("Asilo", em português) é o nome de uma série televisiva inspirada no dia-a-dia do fundador do portal WikiLeaks na embaixada do Equador em Londres. Julian Assange, que aí se encontra desde 2012, inspirou uma produção que será transmitida pela BBC sob a forma de "comédia satírica sobre um informante do governo e um empresário milionário da área da Internet, ambos retidos numa embaixada em Londres", segundo descreveu a agência britânica. A série deverá ser incluída na programação especial dedicada ao 800.º aniversário da Carta Magna, um documento constitucional assinado a 15 de Junho de 1215 pelo rei João I de Inglaterra e que limitou o poder da monarquia. O projecto sobre Assange foi criado por Kayvan Novak e Tom Thostrup e o guião será assinado por Peter Bowden e Thom Phipps.

O jornalista australiano está sob refúgio em Londres, após as alegadas agressões sexuais que o fazem ser procurado pelas autoridades suecas. "Estar numa embaixada tem vantagens. É uma terra de ninguém, um lugar sem Estado. A polícia britânica não pode entrar. O governo equatoriano não pode entrar. Não estou numa prisão. A nossa organização [WikiLeaks] continua a funcionar, mesmo que alguns dos nossos membros tenham sido pressionados por alguns governos", explicou Julian Assange este domingo, 16 de Novembro, no fórum "Reagir contra a vigilância de massas: abrir o espaço à sociedade", integrado no Festival de Cinema de Lisboa e Estoril.

Em direcção ao totalitarismo

Um dos principais alertas que Assange fez durante a conferência, por Skype, para o Centro de Congressos do Estoril, foi o de que poderemos estar a caminhar para uma "sociedade totalitarista" devido à "centralização da informação" na internet e ao avanço da civilização na utilização de "tecnologia complexa".

O jornalista australiano que inspirou uma comédia, falou em tom grave sobre este assunto, apontando para as empresas de tecnologia como aliadas de governos, especialmente o americano, que querem "saber tudo, sobre todas as pessoas, em toda a parte". Como exemplo deu a Google, como sendo "extremamente ambiciosa". "O seu modelo é basicamente o mesmo que o da NSA [Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos]: recolher todo o tipo de informação sobre todas as pessoas. A Google é o maior golpe de espionagem que alguma vez aconteceu e as pessoas estão voluntariamente a contribuir para isso", constatou.

Julian Assange alertou ainda para a necessidade de os cibernautas se manterem informados, sugerindo a leitura do documento "Google Is Not What It Seems" ("A Google não é o que parece", em português) no site da WikiLeaks, e procurarem alternativas que respeitem a sua privacidade. Antes da conferência terminar, Assange revelou ainda que a WikiLeaks vai divulgar mais documentos, mas não desvendou mais, porque o assunto é "super secreto". #Famosos