"Cherry é doce, feminino, e tem tudo a ver com este álbum", explicou ao Blasting News Ana Caldeira, que quando sobe ao palco personifica essa sua descrição do pseudónimo musical que adoptou. A voz de Cherry não só é doce, como também madura, com uma rouquidão cativante que só por si conta uma história. Se a isso juntarmos as melodias vibrantes que compõem o seu primeiro álbum, "London Express", não admira que o público que assistiu ao seu recente concerto na Fnac do Oeiras Parque parecesse hipnotizado pela energia em palco da cantora portuguesa de 28 anos de idade. Mas há muito mais para contar sobre esta cereja (tradução de Cherry) que veio adoçar o nosso panorama musical.

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Se vida de artista não é fácil, a de Ana Caldeira traça o contexto de uma geração em que os sonhos mergulham numa realidade cruel e a concretização de um sonho que foi o lançamento do seu primeiro disco não descarta ainda a necessidade de constantes viagens entre Inglaterra, país onde encontrou trabalho, e Portugal, país onde nasceu mas que não lhe deu oportunidades para ficar. "É realmente um choque e é preciso ter um certo jogo de cintura, porque assim que chego quer cá, quer lá, tenho que ligar o 'interruptor' e adaptar-me muito rapidamente", contou Cherry. Em Londres, é apenas a Ana, uma rapariga trabalhadora, e em Portugal é também a Ana de sempre para os amigos e família. Já em palco, afirma-se como cantora, mas se calhar já ouviu também a sua voz na telenovela da TVI "O Beijo do Escorpião", cuja banda sonora conta com o seu single "Five Knives".

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Como começou o seu percurso musical

O instinto tornou-se talento desde que em pequena descobriu o gosto pela #Música. Se de início foi apenas a ouvir canções que a cantora que há em si foi desperta, mais tarde todos os seus projectos criaram os alicerces que culminaram no lançamento do "London Express". Ana Caldeira dava voz ao trio Cherry Jam desde 2010, quando em 2013, Rui Ribeiro da Blim Records a ouviu num concerto e encontrou nela o elemento que faltava para personificar as músicas que tinha composto. Nessa altura já a viagem para Londres estava marcada, mas isso não impediu que o projecto se concretizasse no álbum com o selo da Blim Records e da Universal Music Portugal.

"As viagens são cansativas, mas é um cansaço bom. É um cansaço que não me importo de repetir todos os dias, era a vida que eu queria", conta Cherry. O balanço desde que o disco chegou às bancas é por isso "muito positivo", tanto a nível pessoal como profissional, e o feedback nos concertos que tem realizado, assim como nas redes sociais, representa "um saldo positivíssimo".

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Ainda que se considere "sortuda" por ter sido encontrada, a verdade é que a cantora já contava com um portefólio de trabalhos musicais que vieram afirmar e solidificar o espaço na indústria. Quando questionada sobre o porquê de nunca ter participado em concursos de talentos, Cherry conta: "Nunca quis participar porque é um tipo de exposição, na minha opinião, que é muito rápido. Assim como aparece, desaparece". Além disso, "em países como Portugal, não há ainda mercado para absorver tantos talentos" e é "muito complicado" porque "as pessoas parece que esquecem muito facilmente os artistas".

Por isso mesmo e porque a conjuntura dita a necessidade de ter os pés assentes na terra, os "planos para o futuro, o sucesso do álbum os vai ditar". "Estou confiante de que estamos a plantar a sementinha e ela vai crescendo até ficar uma árvore mais sólida e agarrada ao chão", conta Cherry. Mas ainda assim, a cantora terá de regressar a Londres: "Vou voltar porque lá tenho o trabalho que aqui não consigo ter", lamenta.

Ainda que "a cultura, as artes, o #Entretenimento sejam das primeiras coisas em que se corta" e estar nessa área signifique "estar sempre na corda bamba", o optimismo de Cherry está no seu conselho para todos os artistas que estejam a perseguir os seus sonhos: "Não desistam porque a arte faz muita falta, a arte faz mais falta às pessoas do que elas imaginam". #Famosos