Júlio Isidro faz #Televisão praticamente desde que ela começou em Portugal. O "Tio Julião" é por isso, e pelo contributo cultural que deu e dá ao país, uma figura marcante do audio-visual português. O "Padrinho" de lançamento de diversos artistas dos dias de hoje celebra 55 anos de carreira. Na televisão conheceu duas casas; a RTP e TVI. Na Rádio, esteve no Rádio Clube Português (1968-1975), Rádio Comercial (década de 80) e Antena 1 (2004-2009).

Tudo começou em 1960, na RTP (3 anos depois da fundação do canal). Júlio Isidro tinha então 15 anos: "Entrei por concurso, que hoje pomposamente se diz casting. Entraram uns senhores no Liceu Camões a convidarem uma série de miúdos, o que aliás aconteceu noutros liceus de Lisboa.

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E esses senhores disseram-me para fazer esse concurso, talvez porque sabiam que eu apresentava o Orfeão do Liceu Camões, onde cantava também". Apresentou, juntamente com Lídia Franco, o Programa Juvenil Infantil até 1966. Para além de conduzir o formato, foi também autor. Depois desta experiência, rumou ao Radio Clube Português (conduziu e foi um dos idealizadores do programa Grafonola Ideal. Graças a ele, realizaram-se as primeiras emissões fora do estúdio) e teve ainda outras funções como por exemplo o ensino do cinema e fotografia e a produção de documentários.

Entre 1974 e 1976, apresenta o Fungagá da Bicharada, mais um programa de grande êxito. Segue-se Arte & Manhas (1977-1978) onde cria a célebre personagem"Tio Julião", e ainda Clube Jaleco (1978). Na década de 80, concebe e apresenta mais programas televisivos, quase todos de enorme sucesso: Festa é Festa, A Festa Continua, Arroz Doce (um dos raros insucessos na sua carreira).

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e O Passeio dos Alegres. Este último é o maior êxito televisivo de Júlio Isidro. Tratava-se de um programa inovador na época, que tinha a duração de 3 horas e era em directo. Foi inspirado no sucesso radiofónico Febre de Sábado de Manhã. Aqui, mais uma vez, Júlio Isidro dá a conhecer vários artistas que hoje em dia marcam a história contemporânea das artes de Portugal.  O cantor António Variações foi um desses casos: "Eu recebi a cassete a uma segunda-feira. Ele foi entregar-ma a um restaurante. Estava muito extravagante (...). Nessa mesma noite liguei-lhe para ele ir ao programa do domingo seguinte".

Ainda nos 80, na rádio entre outros sucessos, apresentou na Rádio Comercial o já referido Febre de Sábado de Manhã, um programa totalmente criativo. Júlio Isidro referiu ao Jornal de Notícias que "a ideia passava por divulgar e estrear bandas. O primeiro espectáculo foi no Noite e Dia, onde fizemos um concurso de noivos". O sucesso foi tanto, que o program, passou por espaços como pavilhões, e até estádios (sendo o ponto alto Estádio de José de Alvalade, que teve 40 mil espectadores a assistir).

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De entre os vários artistas lançados, Júlio Isidro referiu ao Diário de Notícias alguns nomes lançados nestes espetáculos, como Sheena Easton ou o quinteto brasileiro Frenéticas. "Cada vez que o Patchouli tocava era uma loucura. E houve uma grande tensão na primeira aparição dos Heróis do Mar, porque só tinham passado seis anos sobre o 25 de Abril".

Na década de 90 produziu o programa do 8 ao 80, Mistura Fina, apresenta Regresso ao Passado, e também E. T - Entretenimento Total. Em 1993, Júlio Isidro decide sair da RTP e aceitar o convite do amigo que então era Diretor Geral da TVI, José Nuno Martins. Na estação privada,  apresentou Sons do Sol Clips & Spots, Domingo Gordo, Luzes da Ribalta1001 Tardes, Dar que falar e Olhó Popular.

Os tempos conturbados vividos no canal de Queluz justificaram o regresso à sua "casa" RTP, em 1997. Desde então apresentou uma série de programas, sendo de realçar o Jardim das Estrelas, Amigo Público (1998), A Outra Face da Lua (2000), Quarto Crescente (2008), Tributo a... (2003) e Verão Total (2014).

Desde 2010, apresenta na RTP Memória o "Inesquecível". Com as alterações na administração da RTP, será que vão ser pedidas novas ideias para formatos ao apresentador? Apesar da forte ligação com a RTP, Júlio Isidro só teve um contrato com a estação pública entre 2007 e 2009. O apresentador explicou ao Diário de Notícias o porquê de ter estado tantos anos sem qualquer vínculo de exclusividade com a estação: ""não casei (RTP) porque uma das partes não quis ou nunca houve uma ocasião para que isso acontecesse. E depois porque a determinada altura da minha vida achei graça ser freelancer para toda a vida".

Júlio Isidro, numa entrevista ao Jornal de Notícias, confessa que um dos programas televisiva que o marcaram mais até hoje foi A Outra Face da Lua " (....) Dos programas mais marcantes da minha história e, passe a imodéstia, da história da RTP, foi um programa chamado A Outra Face da Lua, porque aquilo passou por mim desde a minha conceção cenográfica até ao clima que se gerava. (...) O Outra Face da Lua foi o meu programa de carinho". #Famosos