Durante os anos setenta, vagueiam pelas ruas mágicas de Nova Iorque Bennett Miller, Philip Seymour Hoffman e Dan Futterman, três amigos de infância que se viriam a formar na New York State Summer School of the Arts em 1984. Vinte anos mais tarde, reúnem uma equipa de sucesso e brilham juntos pela primeira vez no #Cinema com "Capote" (2005). O filme biográfico sobre o excêntrico escritor norte-americano ditou a estreia de Miller como realizador de longa-metragens e ofereceu, de forma muito justa, o primeiro e único Óscar da brilhante carreira do malogrado actor. Embora sem o mesmo esplendor ou mediatismo, o diretor cinematográfico voltaria a trabalhar com Hoffman e seria novamente elogiado quando lançou "Moneyball" em 2011.

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Claramente fascinado por histórias verídicas, Miller, já sem Hoffman mas com Dan Futterman na composição do guião, inspirou-se no controverso multimilionário John Du Pont e invadiu pela terceira vez as salas de cinema portuguesas. Du Pont foi uma personagem estrambólica que criou uma equipa de luta greco-romana e que, devido à sua mente perturbada, danos psicológicos e comportamentos bizarros, viria a chocar o mundo através de um ato impetuoso. Em Foxcatcher, é perfeitamente perceptível o estilo complexo e silencioso do cineasta, que desta vez foi ainda mais longe abusando demasiado da melancolia. Ao longo da história vamos captando um acumular de frustrações pessoais entre as personagens que nos indica e obriga a aguardar por uma inevitável tragédia final. Os cenários solitários e sombrios incriminam ainda mais o filme, que por sua vez está carregado de uma atmosfera densa e aglomerada de desespero e cominação.

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Apesar de a narrativa ser emocionalmente complexa e de nos ser transmitida de forma muito distante, a absurda composição da história foi competentemente retratada.

O sinal mais do filme acaba por ser a complementaridade perfeita existente entre o trio de personagens principais, onde Steve Carell prevalece de forma imperial. Num registo completamente diferente daquele a que nos habituou, Carell está tão assustador como irreconhecível, segurando o filme de forma muito convicta. Durante as filmagens hibernou totalmente no tom de terror da sua personagem e recusou-se a falar com toda a equipa de produção. Channing Tatum e Mark Ruffalo deram uma leveza pura e genial aos seus personagens e também surpreendem inteiramente. Os três juntos e emocionalmente entrelaçados entre si mergulham nos rituais nostálgicos da história e assombram totalmente o ecrã.

Talvez uns furos abaixo e embora dentro dos diferentes rituais de argumento, Foxcatcher acabou mesmo assim por seguir os caminhos de Capote e Moneyball, confirmando um estilo muito próprio do realizador.

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Apesar de, infelizmente nunca mais poder voltar a trabalhar com Seymour Hoffman, o seu amigo de infância, Bennett Miller terá no futuro um sem número de histórias verídicas a explorar, onde certamente irá evoluir e impor ainda mais todo o seu talento cinematográfico. #Entretenimento #Famosos