O apresentador Neil Patrick Harris pode ter aparecido em palco quase em pelota, mas o que deixou Hollywood de queixo caído foram os vários discursos com carácter social e político, numa 87.ª edição dos Óscares, que de outra forma teria sido aborrecida. É que não houve grandes surpresas nos vencedores. O filme "Birdman" ganhou nas categorias mais desejadas, como já era esperado, arrecadando quatro Óscares: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Original e Melhor Fotografia. Só o protagonista Michael Keaton falhou o Óscar de Melhor Actor, perdendo para um fabuloso Eddie Redmayne no papel de Stephen Hawking em "A Teoria de Tudo".

"The Grand Budapest Hotel" empatou em número de Óscares, quatro, mas em categorias técnicas.

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Outra vitória nada surpreendente foi a de Julianne Moore, que finalmente recebeu o seu primeiro Óscar para Melhor Actriz, após cinco nomeações, pelo papel em "Still Alice". Mas foi Patricia Arquette, premiada com o Óscar para Melhor Actriz Secundária, quem usou o seu discurso de vitória para introduzir uma tendência da noite: falar de questões sociais.

"A todas as mulheres que deram à luz a todos os que pagam impostos e cidadãos desta nação, nós lutámos pelos direitos iguais de toda a gente", afirmou Arquette, de papel em punho. "É a nossa vez de ter igualdade salarial de uma vez por todas, e direitos iguais para as mulheres nos Estados Unidos da América." O discurso foi aplaudido com veemência e Meryl Streep, que estava sentada na primeira fila ao lado de Jennifer Lopez, deu um salto e gritou "SIM! SIM! SIM!" repetidas vezes.

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Mais tarde, foi a vez de Graham Moore, que venceu o Óscar para Melhor Argumento Adaptado em "O Jogo da imitação". O jovem escritor usou o seu discurso para falar sobre suicídio na adolescência, admitindo que tentou tirar a sua própria vida quando tinha 16 anos. "Gostaria que este momento fosse para esse miúdo por aí que sente que não pertence a lugar nenhum. Pertences!", disse Moore, muito emocionado. "Mantém-te esquisito. Mantém-te diferente, e quando for o teu momento e estiveres neste palco, por favor passa a mesma mensagem a outros."

Houve ainda tempo de o cantor John Legend, que em conjunto com Common venceu o Óscar para Melhor Canção com "Glory" do filme "Selma", passar uma mensagem política. "Vivemos no país com mais presos do mundo. Há mais homens pretos sob controlo em casas de correcção hoje do que havia na época dos escravos, em 1850", disse Legend.

A edição dos Óscares terminou ainda com uma piada polémica de Sean Penn. Segundos antes de anunciar o vencedor de Melhor Filme, Penn exclamou: "Quem é que deu autorização de residência a este filho da mãe?".

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Penn referia-se a Alejandro González Iñárritu, o mexicano que realizou o filme louco "Birdman" e que conquistou os maiores prémios da noite. A piada mexeu com a sensibilidade do país, onde existe um longo debate sobre a imigração proveniente do México e o sentimento de injustiça que existe na comunidade hispânica quanto à sua representação em Hollywood. A falta de diversidade nestes Óscares foi, de resto, uma das maiores críticas apontadas à noite que celebra a meca do cinema mundial. #Famosos #Filmes #Cinema