Depois das mudanças feitas na Administração no grupo de comunicação estatal, são agora conhecidas as alterações em termos de chefia, não só nos canais de #Televisão, nacionais e internacionais, como também nas rádios, nos programas e nos conteúdos que são e vão ser produzidos. E para já, são várias as mudanças, sendo que apenas duas caras "são contratações feitas no mercado externo e as outras feitas internamente".

Na televisão, o jornalista correspondente em Paris, desde 2006, da RTP, Paulo Dentinho será o novo director de informação da televisão. Daniel Deusdado, também ele jornalista e sócio da Produtora de Ideias, será o novo director de programas da RTP1, RTP Informação e Internacional. A RTP África continua nas mãos de José Arantes, apesar de até há pouco tempo comandar os destinos dos dois canais internacionais.

A RTP Memória também foi alvo de mudanças, pois passa agora a ser dirigida por Gonçalo Madaíl, que liderava anteriormente o projecto Academia RTP. Uma forma de reprogramar os conteúdos de maneira ousada para que o canal não seja um "depósito de repetições", justifica Nuno Artur Silva numa entrevista ao jornal Público. Na RTP2, com a saída esperada já há muito de Elísio Oliveira, este será substituído por Teresa Paixão, uma das gestoras do canal. O vogal da administração do grupo salienta que "esta medida é uma ideia de continuidade para o canal que tem tido uma linha orientadora que está próxima daquilo que esta administração deseja".

É de referir ainda que Deusdado, ao desvincular-se do cargo de administrador e de sócio das produtoras Farol de Ideias e Pequeno Farol, ficará proibido de encomendar programas a estas firmas - dado que vão ser administradas pela mulher. Esta "lei" é só para os canais que vai comandar, dado que as empresas em causa produzem programas há muitos anos para a RTP e nos últimos anos têm uma estreita parceria com o segundo canal do Estado.

A Rádio também terá mudanças. Um dos jornalistas que fundou a TSF, João Paulo Baltazar, irá chefiar a informação da mesma. Porém a direcção das rádios do grupo continua com Rui Pêgo, que mantém assim a confiança da nova administração, se bem que ficou sem a Antena 3 que ficará entregue ao radialista Nuno Reis. "A ideia passa por tornar esta rádio mais jovem, mais pop, e com uma presença maior a nível online e multimédia. Até porque temos o objectivo de fazer desta rádio um canal de música na Internet. O novo contrato de concessão prevê isso mesmo - o lançamento de um novo canal público mais virado para música".

Esta nova estrutura orgânica já chegou à Entidade Reguladora para a Comunicação Social, e será analisada terça-feira, onde se espera luz verde para o pedido da dispensa dos antigos directores mas também nas novas escolhas. O administrador, Gonçalo Reis, assume que estas "mudanças já estavam previstas há muito tempo. E que foram bem acolhidas pelo conselho independente que está em perfeita sintonia com aquilo que queremos para o futuro a curto, médio e longo prazo para toda a RTP. Apesar destas mudanças, contamos com todos para uma RTP forte".