Rui Cruz é um dos cérebros mais criativos do nosso país, mas muitos podem não o conhecer devido ao facto de se manter nos bastidores e longe dos holofotes. Não procura protagonismo. Não lhe interessa. 

1. Como é que um gótico como tu foi parar aos palcos a fazer stand up?

R: Bom, antes de continuarmos convém dizer que não sou gótico. Já fui, mas depois despediram-me quando descobriram que ouvia The Beatles e ia à praia. Em relação ao stand up: Eu comecei a interessar-me pela comédia aos 9 anos quando li o "Sem Penas" do Woody Allen, que o meu pai me deu. Desde essa altura que escrevia pequenos textos de comédia para mim.

Publicidade
Publicidade

Depois comecei a ficar vidrado nas séries que davam na RTP2 ao fim da tarde. Vinha a correr da escola para ver o "Soap" e a "Red Dwarf" e à noite, ao fim de semana, a Britcom, com o Alas Smith and Jones, a Liga de Cavalheiros, o 'Allo 'Allo. Ou seja, a comédia fez parte da minha vida desde cedo.

Entretanto, tirei o curso de arqueologia, comecei um negócio com um colega e, apesar de gostar muito do que fazia, não me estava a sentir bem com o meio. Um dia estava na internet e vejo que as PF (Produções Fictícias) abriram um curso de escrita de humor, coisa que já não fazia há alguns anos. Não pensei duas vezes e inscrevi-me. Um mês depois já tinha tomado a decisão de que era isto que queria fazer. Só que não estava à espera que, no curso, um jovem professor de nome Salvador Martinha puxasse por nós e fizesse descobrir que estar em palco é do caraças.

Publicidade

Pediu-nos para cada um de nós fazer 3 minutos de stand up e isso mudou a minha vida. Nem o tabaco me agarrou tão rápido. Depois dessa aula tive a ideia de fundar os Aristocratas, chamei os meus colegas e passados 2 meses estávamos a marcar actuações por todo o país.

2. Tens um vasto currículo, escreveste imensos programas televisivos e atualmente estás envolvido nos projetos "Anjos Negros", "Overdose" e "Aristocratas". Nota-se aqui um certo padrão nos nomes dos espetáculos. Importas-te de nos elucidar?

R: Aristocratas e Overdose por acaso foram nomes sugeridos por mim. Anjos Negros foi sugerido pelo [Rui] Sinel [de Cordes]. Sobre os nomes não há muito a dizer. O ideal é ter nomes fortes, fáceis de memorizar, que transmitam, logo ao ouvires, a toada do espetáculo e que automaticamente tragam um contexto visual forte. Por exemplo, Aristocratas, para além de ser uma homenagem à piada "aristocratas" (quem não conhecer, pode ver o documentário no youtube), é um nome que traz alguma arrogância, que nós tínhamos porque nos considerávamos a nova geração da comédia e tínhamos grandes planos. Overdose mostra logo ao que vens: um espetáculo sem tabus, forte e visualmente riquíssimo. Anjos Negros, ouves e sabes logo que é de humor negro.

#Entretenimento