A série 'Game of Thrones' tem gerado muita conversa sobre a violência sexual que se vê no desenrolar da trama. Agora, pela primeira vez, George R. R. Martin, o autor das Crónicas de Gelo e Fogo e produtor-executivo da série, falou sobre o assunto, numa declaração à Entertainment Weekly. De lembrar que a série da HBO por vezes mostra cenas que o autor não escreveu nos seus #Livros, mas por outro lado dá mais poder a algumas cenas das personagens femininas, como Brienne. No seu comunicado, Martin explica que parte do ponto de vista dos seus livros é descrever um mundo medieval realista e horrível, o que significa incluir os piores aspetos de uma sociedade feudal e patriarcal.

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O autor aceita que as pessoas respondam a isso com o argumento "Bem, ele não está a escrever história, ele está a escrever fantasia - ele põe dragões, ele devia ter feito uma sociedade igualitária", mas diz "Eu queria que os meus livros fossem fortemente baseados na história e mostrar como era a sociedade medieval". O que, neste caso, inclui a violação de mulheres: "Eu estou a escrever sobre guerra, o tema de quase todas as fantasias épicas. Mas se vais escrever sobre guerra, e apenas queres incluir as batalhas espetaculares e os heróis a matar muitos orcs e coisas desse género e não retratas [a violência sexual], então há algo fundamentalmente desonesto em tudo isso".

O autor falou ainda sobre as fortes personalidades femininas que se encontram na série 'A Guerra dos Tronos' e nos seus livros.

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"Eu tenho milhões de mulheres leitoras que adoram os livros, que vêm ter comigo e dizem-me que adoram as personagens femininas. Algumas adoram Arya, algumas adoram Dany, algumas adoram Sansa, algumas adoram Brieene, algumas adoram Cersei - há centenas de mulheres que adoram a Cersei apesar das suas óbvias imperfeições", revelou Martin, acrescentando que ainda hoje se encontram desigualdades na sociedade. "Para ser não-sexista, isso significa que tens que retratar uma sociedade de igualdade? Isso não está na nossa história; é algo para a ficção científica. A América do século XXI não é igualitária, também. Ainda há barreiras contra as mulheres", afirmou.

"Eu quero retratar luta. O drama tem origem no conflito. Se tu retratares uma utopia, então provavelmente escreveste um livro muito chato", concluiu George na sua declaração. #Séries