Nuno Markl, humorista português, humanista e defensor da causa animal por natureza, dirigiu-se à chamada imprensa cor-de-rosa para tecer alguns considerandos sobre o que estas publicações escrevem sobre a sua vida facebookiana, alertando para que estes deixem de ver a sua vida pelo lado sensacionalista e a vejam pelo lado mais interessante, as suas causas. No dia em que Daniel, uma criança doente oncológica, faleceu no IPO do Porto, Nuno Markl apela para que a imprensa olhe para os assuntos que valem mais a pena do que para aquilo que vai acontecendo na sua página pessoal de facebook, "99,9% das vezes sem qualquer interesse para ornamentar as páginas de um jornal". O caso que o humorista exemplifica, na sequência do falecimento do pequeno Daniel, prende-se com os pais do Daniel e é extensível aos pais de todos os pequenos anjos que lutam contra a doença oncológica e outras doenças crónicas: a baixa médica por assistência a filho com doença crónica.

No seu texto Nuno Markl diz que " é algo que está estipulado no despacho conjunto nº 861/99, publicado no Diário da República nº 235, série II, de 8 de Outubro de 1999.

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A lei envolve um limite de tempo de baixa por assistência: 4 anos. Seja o pai ou a mãe a gozar de baixa pela criança, o que conta é o tempo total em que eles estão a usufruir desse direito. Ao fim de um período de 4 anos, o pai ou a mãe tem de voltar ao trabalho. A baixa representa 65% do ordenado, tendo como máximo o valor mensal de, mais ou menos, 800 euros. Ou seja,quem recebe o salário mínimo, dispõe apenas de 11,28 euros por dia. Os pais desempregados ou trabalhando a recibos verdes recebem apenas um complemento de aproximadamente 80 euros mensais além do abono de família".

Segundo Nuno Markl apurou, "através de um pedido especial, é possível tentar obter um prolongamento da baixa" mas, neste caso, depende da boa vontade do responsável da Segurança Social de cada distrito, variando de caso para caso.

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Poderá ser de seis meses, um ano ou até pode ser recusado. Markl remata: "É uma lotaria de mau gosto, aquilo que devia ser uma simples questão de decência, de solidariedade, de pura e simples humanidade. No pior momento da vida de uma família, o Estado não protege, não oferece garantias. Oferece um acréscimo de tensão a vidas que já ultrapassaram o seu limite de tensão. Não há outra palavra para definir isto: é sinistro".

A terminar o seu texto, Nuno Markl encerra com as seguintes palavras: "Num mundo mais decente – já não vou dizer ideal – cada caso deveria ser um caso. Mas se não é possível num mundo frio e burocrático o Estado personalizar a sua relação com as pessoas a quem aconteceu a hecatombe das hecatombes, então que se termine o conceito de prazo, que não se retirem aqueles 35% do ordenado e que as pessoas não fiquem à mercê do pequeno poder, da boa vontade do responsável local da Segurança Social".

O criador de "O Homem Que Mordeu o Cão", na Rádio Comercial, pede para que a imprensa leve do texto um "assunto que merece ser explorado, investigado e resolvido".

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#Famosos #Cancro #Redes Sociais