Quintino Aires está a ser alvo de uma onda de críticas, queixas e até processos por ter proferido acusações sobre comportamentos da etnia cigana. Na habitual “Crónica Criminal”, que fecha diariamente o programa de entretenimento “Você na TV”, transmitido pela TVI, o psicólogo acusou a etnia cigana de não respeitar as normas do país onde vive. Quintino Aires vai mais longe e chega a acusar a maioria dos ciganos de traficar droga e de não trabalhar. A Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial é uma das organizações revoltadas que vai analisar o caso, não afastando a hipótese de apresentar uma queixa-crime contra o psicólogo.

A situação remonta à passada quarta-feira, dia 27 de Julho, quando Quintino Aires comentou uma notícia que dava conta de um grupo de ciganos que terá, alegadamente, danificado um quartel de bombeiros e agredidos elementos da corporação.

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Quintino Aires, convidado a comentar o caso pelos apresentadores #Cristina Ferreira e Manuel Luís Goucha, não poupou críticas à etnia cigana que, no seu entender, “não respeita as normas do país onde vive”. Ou seja, “não respeitam regra absolutamente nenhuma”, frisou, acusando os ciganos de invadirem os serviços da Segurança Social, os hospitais e as escolas. Mais, Quintino Aires referiu-se, ainda, aos ciganos como sendo gente que não trabalha e que trafica droga.

Apesar de Manuel Luís Goucha ter alertado o psicólogo para a gravidade das suas afirmações, considerando que há muitos elementos da etnia cigana perfeitamente integrados na sociedade, sendo licenciados e até presidentes de Câmara, Quintino Aires considerou serem “raríssimos” tendo apontado como um desses casos o futebolista Ricardo Quaresma.

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O comentador chegou, ainda, a desafiar o apresentador de #Televisão a apresentar uma lista dos trabalhos dos ciganos, desafiando-os a trabalharem “16 horas por dia” ou irem “lavar escadas”.

As afirmações do conhecido psicólogo não caíram bem junto de muitas organizações, tendo sido amplamente difundidas nas redes sociais. Nesta sexta-feira, 29 de Julho, foram 14 as associações que pediram ao canal televisivo (TVI) que assuma uma posição sobre as afirmações proferidas pelo seu colaborador/ comentador. Exigiram igualmente à Ordem dos Psicólogos e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) para que actuem. Entretanto começou a circular uma petição pública, já subscrita por mais de 1100 pessoas, exigindo o afastamento de Quintino Aires como comentador de televisão.

Citado pelo jornal Público, o alto-comissário para as migrações, Pedro Calado, referiu que aquela situação pode originar um processo de contra-ordenação (podendo a sanção variar entre os 530 e os 2.650 euros) ou até um processo-crime por discriminação racial. Por outro lado, caso se verifique tratar-se de uma alegada discriminação racial, a punição poderá resultar numa pena de prisão de seis meses a cinco anos.

#Etnias