A Policia Judiciária efetuou buscas, após acusação de três noviças, na Fraternidade Missionária Cristo Jovem, em Famalicão, revela o site do jornal Expresso. Um padre e três freiras, entretanto constituídos arguidos, são suspeitos de maus-tratos, rapto e escravidão. Segundo as noviças, quem desobedecesse às tarefas que eram impostas era agredida. Esta situação foi denunciada no ano passado à diocese de Braga, mas só agora chegou à PJ. 

Na busca ao convento os inspetores da PJ procuravam provas de actos violentos.

De acordo com o advogado da Fraternidade Missionária Cristo Jovem, Ernesto Salgado, o convento foi revistado pela PJ entre as 7h00 e as 13h00 de quarta-feira.

Em declarações à Lusa, o advogado da instituição refere que as noviças, com idades compreendidas entre os 20 e os 30 anos, deixaram nos últimos dois anos o convento por iniciativa própria tendo, atualmente, a sua vida pessoal.

Frisou que o padre acusado tem a instituição a seu cargo e que as freiras são as criadoras do convento. 

As vítimas confessaram que eram escravizadas no campo, propriedade do convento, e nos trabalhos domésticos. Eram esbofeteadas e castigadas, permanecendo de joelhos durante horas ou com outras práticas medievais caso não tivessem bom desempenho nas tarefas. Os quatro arguidos serão presentes ao Tribunal de Famalicão na próxima segunda-feira, pelas 9h30.

O convento de Santa Luzia da Fraternidade está localizado numa propriedade de quatro hectares, com muros à volta. A Fraternidade Missionária Cristo Jovem tem as portas abertas aos visitantes no segundo domingo de cada mês. A população local reagiu com surpresa à presença da Polícia Judiciária nas instalações. 

Um casal a viver próximo do convento, que pediu anonimato nas suas declarações, referiu que há cinco anos um elemento da fraternidade fugiu do convento.

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Quando entrou na casa do casal, a jovem pediu para ligar aos pais, não confessando porque saiu do convento. 

A Fraternidade Missionária Cristo Jovem foi aprovada a 24 de janeiro de 1978 pela Arquidiocese de Braga.